sábado, 9 de junho de 2018

OdioSocial

 “Levante”




Independente – 2018

Por: Ricardo Cachorrão Flávio

Nota: 10,0 

Chegando à maioridade em 2018, a molecada da OdioSocial – grafado assim mesmo, junto, sem acento, com O e S maiúsculos, trás a tona o petardo “Levante”, trabalho que vem sendo pensado e preparado pelos meninos há um ano e meio, no mais absoluto DIY (Do It Yourself – Faça Você Mesmo), correria monstra entre camaradas, parceiros do Brasil e de fora, e vários selos que se cotizaram e possibilitaram que chegasse ao mercado um trampo bem feito, com capricho na parte gráfica e, principalmente, muito bem gravado, que mostra que ano a ano o OdioSocial vem se destacando e tornando cada vez mais um dos grandes nomes do hardcore paulistano e, por que não? Brasileiro!

A banda foi formada no ano 2000, na periferia de São Paulo, a princípio para curtição e zoeira, como a grande maioria das bandas nasce, mas que com o tempo foi ficando uma brincadeira séria. O interessante é que mesmo sendo curtição, os moleques sempre se importaram em registrar tudo o que era feito, e já em 2000 gravaram sua primeira fitinha K7.

Leandro, Fábio e Douglas

Quando lançaram a cacetada “Jovens Mortos Não Fazem Nem Contam Histórias”, CD de 2014, seguiu-se a primeira turnê europeia, já em 2015, em que Leandro (guitarra e vocal), Fábio (baixo e vocais) e Douglinhas (bateria e vocais), formação consolidada desde 2009, se meteram. No Velho Continente, aumentaram os contatos e parcerias, aprenderam muito de como funciona o underground por lá e trouxeram esse conhecimento para o Brasil, onde foram ampliando os horizontes e tocando cada vez em mais praças diferentes.

Em 2017 fizeram a segunda turnê europeia e lançaram um split, em CD e LP, em conjunto com a banda alemã KILLBITE, o “Suas Torres Douradas Entrarão em Colapso”, com 6 faixas cada banda, que depois veio ao Brasil com ajuda do OdioSocial para conhecer terras tropicais, num intercâmbio bacana entre as bandas.

Firmes por aqui, foi a hora de começar a preparar o novo trabalho que já vinha sendo pensado e foi aí que capricharam e criaram este “Levante” que chega agora, depois de muita correria dos meninos para viabilizar a empreitada. Idealizado pela RedStar Recordings, para sair no capricho que saiu, contaram com o apoio de inúmeros amigos e selos, a saber: Mente Destruida (México), Break the Silence Records (Alemanha), Exílio Records, Resistência Antifashion, Produções Marginais, Lixo Discos, Manaós Distro, Resista! e Anos 80 Rock Wear.



 O disco é pau puro, punk rock hardcore maduro, bem feito e bem gravado, trazendo a realidade das ruas, com críticas sociais presentes desde o início da banda. E ainda sobra espaço para meter o dedo na cara dos “atrasa-lado” que sempre existiram e parece que nunca sumirão, na ótima faixa “Falsidade”.

É isso, os moleques cresceram, a estrada fez bem, o discurso continua atual, a guitarra do Leandro cada vez mais cortante, sobre a cama bem feita pelo baixão do Fábio e a bateria monstruosa que o menino Douglas anda batendo cada vez mais forte. Longa vida ao OdioSocial.

Uma amostra da avalanche sonora:



quinta-feira, 31 de maio de 2018

NEW MODEL ARMY – Brazil Tour / 2018




Após oito longos anos de espera, e com dois alarmes falsos no caminho, eis que está finalmente confirmada a quarta visita da banda inglesa NEW MODEL ARMY ao Brasil!

Formada em 1980, na pequena cidade inglesa de Bradford, a banda tem suas raízes fincadas no entrelaçamento da urgência do punk rock e a suavidade sonora do folk, mas com acidez e aspereza no conteúdo, sempre liderada pelo “trovador” Justin Sullivan (aka Slade, the Leveler).

A primeira passagem da banda por aqui se deu em 1991, no auge, com a banda embalada pelo sucesso dos LP’s “Thunder & Consolation” (1989), do clássico “Green and Grey” e “Impurity” (1990), que trazia a belíssima “Purity”.

Sem nunca parar, a banda não encontrava espaço para retornar ao Brasil, e a segunda aparição se deu apenas em 2007, quando do lançamento do álbum “High”. Três anos após, a banda fez um esforço e trouxe para São Paulo as apresentações especiais de comemoração de 30 anos de banda, com apresentação em duas noites, com sets divididos em acústico e elétrico, e repertórios totalmente distintos nas duas noites, exatamente como foi feito na Europa.

Nestas duas turnês a banda se mostrou super acessível com o público, tratando-o como uma verdadeira família, que é como se tratam fãs do New Model Army em todo o mundo – inclusive, muitos acompanharam a banda até o Brasil nestas turnês, e, junto dos brasileiros, confraternizaram noite adentro com a banda após as apresentações.

Desde então a ansiedade dos fãs brasileiros por um retorno é grande, e em duas oportunidades houve um enorme desgosto, decepção e prejuízo. Em agosto de 2009 foi anunciado um show num grande festival com apresentação solo de Justin Sullivan, acompanhado do multi-intrumentista Dean White, também membro da banda. E para 2014, foi anunciado também show da banda, desmarcado à última hora. As tristes coincidências dão conta que ambos os shows estavam marcados para o ABC paulista, nos dois casos ingressos foram vendidos antecipadamente e, nos dois casos, até hoje o dinheiro não foi devolvido.

Finalmente uma produtora séria resolveu investir na banda, e a Liberation confirmou que nos dias 09 e 10 de junho, Justin Sullivan, Dean White, Marshall Gill, Ceri Monger e Michael Dean estarão no Fabrique Club, em São Paulo.

O último lançamento da banda foi “Winter”, excelente disco que saiu em 2016 e eles vêm de um projeto inusitado chamado “Nights of Thousand Voices” (NOTV – Noites das Mil Vozes), quando em três noites seguidas tocaram numa capela londrina, com incrível acústica, ficando no centro de tudo, utilizando os instrumentos com volume mais baixo do que o normal, dando a oportunidade de “1.000 vozes” se dedicarem à letra das canções. Foi algo incrível que pode ser visto no YouTube, e tem previsão de sair em DVD / Blu-ray.

E, para deixar a festa melhor, a banda já anunciou previamente que como é difícil tocar no Brasil e o repertório deles é enorme, novamente farão dois shows distintos, sem repetir nenhuma música. A ansiedade é enorme, que venham logo!

Local: Fabrique Club
E-mail: cesar@fabriquesp.com.br
Telefone: (11) 4306-4220
Endereço: Rua Barra Funda, 1071 - Barra Funda - São Paulo - SP - CEP: 01152-000
Ingressos: www.clubedoingresso.com


domingo, 1 de abril de 2018

DEBAIXO DE CHUVA, DEPECHE MODE PAGA DÍVIDA DE 24 ANOS COM SHOW IMPECÁVEL

Dave Gahan compensou a ansiedade dos fãs brasileiros [Foto: Marcelo Rossi]



Por Silvia Briani

Após 24 anos esperando o retorno da banda por terras tupiniquins, o Depeche Mode volta em grandíssimo estilo, com a única apresentação por aqui da Global Spirit Tour, que promove Spirit, o mais recente álbum da banda, lançado em 2017.

Debaixo de chuva castigante, uma multidão de capas plásticas dançavam e se aqueciam para a estrela da noite ao som eletrônico do DJ Gui Boratto, convidado especial da banda para a abertura do show no Brasil.

Depois do intervalo, o público foi se ambientando ao som de “Revolution” dos Beatles, que já é a introdução ao show, e então as sombras dos integrantes aparecem sob o fundo de uma imagem super colorida no palco, e emenda com "Going Backwars", música do novo álbum. Na sequência o público explode ao som da velha conhecida “It´s no good”, com Dave Gahan animando com seu vozeirão e sua dança. A multidão de capas plásticas segue curtindo músicas mais amenas, o telão central do palco exibe imagens e vídeos que complementam e ilustram o que a banda toca no palco.

Galera vibra e dança novamente ao som de “Word in My Eyes”, e em seguida a nova “Cover Me”. Dave Gahan faz uma pausa, a chuva também, e quem assume os vocais das próximas músicas é Martin L. Gore (guitarrista, tecladista e dono de uma belíssima voz), cantando duas canções do álbum “ultra”, em versão acústica “Insight” e em seguida “Home”, uma das minhas preferidas do ultra, essa última em que o público surpreendeu a banda fazendo um coro no final da música, coro ainda esticado por Dave Gahan na sua volta ao palco para cantar “In Your Room” e o hit mais conhecido do último álbum “Where´s The Revolution”.

O tempo de apreciar e saborear com tranquilidade a boa técnica, talento e apresentação dos músicos acaba quando começa “Everything Counts”, uma das mais conhecidas da banda de todos os tempos, um dos primeiros hits, e o Allianz Parque dança em massa. E o show pega fogo mesmo a partir daí, com hit após hit. A primeira parte do show se encerra com “Never Let me Down Again” e o bis começa com “Strangelove”, lindamente em versão piano e voz por Martin L. Gore, seguida de “Walking in My Shoes”.

A banda agita e o público responde em “A Question of Time” e logo a guitarra inconfundível traz “Personal Jesus”, que encerra o show com um gostinho de quero mais, aliás, quero muito mais.

Show impecável, lindo, músicos talentosíssimos, talvez um pouco pacato pra um público que lotou o Allianz Parque ávido por cantar, dançar e se emocionar após esses 24 anos, mas que não tira a grandiosidade do espetáculo, mesmo debaixo das águas de março que fecham o verão.


OBS.: Texto escrito por minha esposa, Silvia Briani, e publicado originalmente no ROCKONBOARD.

sábado, 24 de março de 2018

CÓLERA “Acorde! Acorde! Acorde!”




EAEO Records – 2018

Por: Ricardo Cachorrão Flávio

Nota: 10,0


Esse é um álbum que me trás uma mistura de sentimentos e reações. Estou junto da banda há muitos anos, somos amigos próximos e me considero parte da “família Cólera”, vi este projeto nascer por volta de 2006, ouvi histórias, planos, sonhos. Tudo interrompido de forma abrupta e inesperada em setembro de 2011, com a morte precoce do mentor de tudo isso, Edson Lopes Pozzi, o Redson, aos 49 anos.

Lembro claramente das palavras do Reds, todo empolgado, sempre que nos encontrávamos: “Cachorrão, farei uma parada louca, ninguém espera isso, será a ÓPERA DO CAOS, uma ópera punk, músicas interligadas, uma história contada com início, meio e fim, saca, man? Esse disco vai chamar Acorde! Acorde! Acorde!”

“Acorde! Acorde! Acorde!”, é um título de duplo sentido, primeiro seria um grito de ordem, para o ser humano acordar e se mexer contra tudo o que está errado, sair da zona de conforto, não ser guiado e obedecer passivamente a tudo o que o oprime. E num segundo ponto, é para lembrar musicalmente o punk rock, os três acordes básicos da música, que são o fio condutor, mas não são únicos, pois, em constante evolução, o Cólera trás sempre novas tendências e sonoridades, neste trabalho, além da pegada forte de sempre com baixo, guitarra e bateria, temos um trio de metais trazendo um ar de novidade.

Voltando no tempo, fico me lembrando das inúmeras vezes em que o Redson mandava mensagem via MSN: “está de boa, man? Passa aqui em casa pra trocar ideia... trás cerveja”! E assim era... 12 cervejas normais pra mim, meia dúzia pra ele, sempre escura! Nas caixas de som, New Model Army e Mestre Ambrósio... e senta que lá vem história a noite inteira! Boa parte do que é o punk rock brasileiro ainda está dentro daquelas gavetas, hoje sob a guarda do menino Wendel, fiel escudeiro muito antes de substituir o mestre! Os moldes das capas dos clássicos “Grito Suburbano”, “Sub”, “Tente Mudar o Amanhã”, “Cólera & Ratos Ao Vivo”, “Pela Paz em Todo Mundo”, tudo ali em minhas mãos! As fotos originais, fanzines diversos, que ele mostrava com orgulho e um largo sorriso no rosto!

Toda a satisfação com o passado nunca o impediu de pensar adiante, e era aí que sempre chegávamos em “Acorde! Acorde! Acorde!”, e o sonho da ópera do caos! “preciso terminar umas letras, mas teve ensaio e gravamos isso aqui, diz aí o que você achou”, e lá estava eu ouvindo demos embrionárias do que hoje é realidade! Honra é a melhor definição que tenho.

Quando fui informado de seu falecimento, e fui a terceira pessoa a saber do fato, antes mesmo da família, incumbido de passar a notícia adiante, me veio o pensamento: e agora? Acabou?
Foi uma noite de tristeza extrema. Já pela manhã o pai dele se aproximou, não me conhecia, e perguntou educadamente: “te vi a noite toda ao lado do meu filho, o senhor era amigo dele?”. A resposta foi direta: “seu filho foi muito mais que meu amigo, é referência e influência, muito do que sou hoje, é graças a ele”. Cumprimentou-me e agradeceu. Acredito que ele não tinha noção do tamanho do legado que o filho estava deixando, ver aquele cemitério lotado de punks de todas as idades mexeu com ele, que pediu ao Pierre na hora de fecharmos o caixão: “Carlos, você pode pedir para seus amigos cantarem aquela música da paz?”. E assim foi, centenas de vozes cantando entre lágrimas, “Pela Paz em Todo o Mundo”! Seis foram as pessoas que carregaram seu caixão: eu, Pierre, Val, Ariel, dos Invasores de Cérebros, Clemente, dos Inocentes e Finho, do 365. E foi ali mesmo que Val e Pierre decretaram: “não é o fim, esse grito nunca será em vão, vamos em frente”.

Anos se passaram e com a formação estabilizada, que conta, além de Pierre e Val, na bateria e baixo, com Wendel Barros, voz e Fábio Belluci, guitarra, e é hora de retomar o que havia ficado parado. A entrada do garoto Fábio na banda, a partir de 2014, tem muito a ver com essa retomada, o menino trouxe um novo vigor e inquietude, é hora de “ACORDE! ACORDE! ACORDE!”

Para falar do disco, é importante mencionar a parceria com o selo EAEO Records e seu responsável, outro menino, o João Noronha, produtor do novo álbum, que trás um trabalho extremamente bem gravado. Bom lembrar que o selo é responsável, também, pela remasterização e reedição de todo os catálogo do Cólera, que pode ser encontrado em todas as plataformas digitais para audição.

Com previsão de chegada das cópias físicas em 21/03/2018, desde o dia 16/03, “ACORDE! ACORDE! ACORDE!” foi oficialmente lançado em todas as plataformas digitais e o que se ouve é o Cólera, puro e simples, com a mesma pegada de sempre, mas com uma qualidade de gravação pouco vista antes, está acima da média.

Para quem sempre acompanhou a banda ao vivo, a trinca que abre o disco não é totalmente desconhecida, pois foram tocadas algumas vezes em shows: “Somos Cromossomos”,”Festa no Rio” e “Capacete Vermelho”.

A música de trabalho do disco, “Somos Cromossomos” é urgente, trás uma chamada de baixo bem característica da banda, Pierre destruindo tudo na bateria e backing vocals e Fábio e o Wendel fazendo na guitarra e vocal o que se esperaria do Redson, os garotos estão ótimos!

Quando ouço “Festa no Rio”, lembro-me da sua origem e a necessidade da banda de agradecer aos cariocas todo o carinho com que sempre os receberam. O Rio de Janeiro chegou a ser “casa” do Cólera numa boa fase dos anos 80, quando ficaram anos sem tocar em São Paulo em virtude de tanta confusão e brigas no movimento.

Vale lembrar que além do Redson, Val, Pierre, Wendel e Fábio, aparece como co-autor de algumas faixas o amigo Alonso Góes, baterista e técnico de som do Cólera, Plebe Rude, Inocentes, dentre outros. O “Low” sempre foi um cara presente, e tocava bateria na super banda-tributo ao The Clash, a Combat Rock, formada pelo Redson, Clemente (Inocentes / Plebe Rude), Ari Baltazar (365), Mingau (Ultraje a Rigor). “Creation” é uma dessas faixas.

“Mil Turbulências” empolga com a metaleira presente neste autêntico ska-core! E o Wendel cantando num ritmo rap no meio da canção é outro diferencial que ficou ótimo, já é das minhas favoritas.

“Supressão” e “Ska-Metal” são a sequência e mantém o bom nível do disco, guitarras cortantes, boa marcação de baixo e bateria e o Wendel cantando cada vez mais parecido com o Redson. Essas faixas preparam o terreno para a esperada “ÓPERA DO CAOS”, que é o que vem a seguir, cinco faixas seguidas, interligadas, o sonho do “Filho Vermelho” realizado.

“Mr. Gamble”, “Mezza Mezza”, “Fá Dó Lá”, “O Caos”e “Hino”, são as faixas que compõe a ópera punk, e dá uma grande satisfação ouvir isso pronto e gravado, passando por cima de toda desconfiança e críticas de tanta gente que não queria que a banda se mantivesse na ativa, mesmo sem conhecer as pessoas que estão por trás disso tudo, sem saber o quanto significa a cada um deles, preferiram os chamar de “oportunistas”, mas, está aí, o Cólera está vivo, Redson vive através de sua música e letras. O grito não foi em vão!

E para finalizar, uma grande e grata surpresa, como bônus, vem a repetição das três primeiras faixas do disco, mas aqui nas versões demo originais, de 2009, com a voz e a guitarra do Redson, e é difícil para quem o conheceu segurar a emoção, e, como me disse o Val logo após eu ouvir todo o disco e comentar minha emoção: “Cara, ninguém mais do que o Redson merecia estar nesse disco, isso é dele e para ele”.

Este é o CÓLERA! Forte e grande é você!

domingo, 18 de março de 2018

CÓLERA - RELEASE OFICIAL - 2018





Release




Por Ricardo CACHORRÃO Flávio

1979... Helinho encontra Redson, que chama Pierre, que encontram Kinno! Nasce aí uma instituição! CÓLERA!

1980... Mudança no time, formação clássica... Redson, Val e Pierre!

1981... 1982... 1983... 1984... 1985... 1986... 1987...
Grito Suburbano... O Começo do Fim do Mundo... Sub... 1.9.9.2.... Tente Mudar o Amanhã... Cólera & Ratos... Ataque Sonoro... tretas... movimentação... falta de shows... correria... exílio... fitas K7... C.I.C.... Rio de Janeiro... Circo Voador... Pela Paz em Todo Mundo... Dê o Fora... É Natal!!!?... European Tour’87...

1988... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 2010...
20 minutos de Cólera... Val...  J&B Nikima... Independência ou Morte... Verde, Não Devaste... Mundo Mecânico, Mundo Eletrônico... Fábio... Caos Mental Geral... Plebe Rude... Inocentes... 20 Anos... Deixe a Terra em Paz... Europa... Primeiros Sintomas... ACORDE! ACORDE! ACORDE! mencionado e nascendo... Combat Rock... Val... Cólera Project... mais Europa... 30 anos sem parar...

27 de Setembro de 2011
22:30, toca o celular: “REDSON CHAMANDO” no visor. “Oi Reds, o que manda?”, “Cachorrão, aqui é a Zuleika! A notícia não é boa, acabamos de perder o nosso irmão! O Red nos deixou! Estou com o Wendel no hospital, por favor, avise todo mundo, passe a notícia... você tem o telefone do Pierre? Preciso avisar ele e o Val...”. Minutos depois no orkut, Val escreve “A MAIOR DE TODAS AS PERDAS”, na página oficial da banda.

2011... 2012... 2013... 2014... 2015... 2016...
Família Cólera... Tributo... Hangar 110... Wendel Barros... Anselmo Pessoa... Cacá Saffioti... turnê de Norte a Sul... Fábio Belluci... Colômbia... relançamentos... EAEO... ACORDE! ACORDE! ACORDE!

ACORDE! ACORDE! ACORDE!

Após o falecimento do Redson, contrariando as expectativas, Pierre e Val decidem que a banda continua na ativa e não tarda a apresentar Wendel Barros, garoto que já fazia parte da chamada “Família Cólera”, ex-roadie da banda e amigo de longa data, aluno de canto de Redson e cantor da banda Sociedade Sem Hino, como novo vocalista, que conta ainda com Anselmo Pessoa, das bandas Kolapso 77 e Skamoondongos, na guitarra.

Após alguns shows, Anselmo sai da banda por motivos particulares e outro velho amigo é chamado para o seu lugar, Cacá Saffioti, guitarrista que passou, dentre outros, também por Kolapso 77 e Garotos Podres.

Depois de muitos shows por todo o país, é a vez de Cacá ter seus motivos para se afastar, e, como das outras vezes, nada de testes ou procura por um novo membro, uma pessoa próxima da banda é convidada a fazer parte do time, e Fábio Belluci, menino talentoso, multi-instrumentista, baixista da Sociedade Sem Hino e que possui o interessantíssimo trabalho solo “Satélites Fora do Ar”, assume a guitarra do Cólera.

A presença de Fábio na banda trás um novo vigor, e após shows de Norte a Sul do país e até uma pequena gig na Colômbia, o agora quarteto acha que chegou a hora de mostrar que o Cólera continua vivo e não vive apenas de um passado glorioso. É a partir daí que ACORDE! ACORDE! ACORDE!, o trabalho que vinha sendo pensado e criado por Redson, Pierre e Val em 2006 volta à tona. A partir de gravações de ensaios, rascunhos de letras encontradas nas coisas do Redson e o que a antiga cabecinha do Pierre lembra, 13 faixas inéditas foram ajustadas, terminadas, e postas em prática!

Wendel ficou encarregado de terminar de compor a maioria das letras inacabadas, Fábio, Val e Pierre, finalizaram arranjos e o trabalho finalmente está pronto, incluindo 5 faixas que compõem a “ÓPERA DO CAOS”, uma legítima ópera punk, concebida e criada pelo Redson, que era um sonho dele, que por muitas e muitas noites debatemos em encontro de amigos em sua casa, ao som de New Model Army e Mestre Ambrósio.

O disco trás a mesma urgência sempre presente no punk rock do Cólera, que, sem nenhum exagero, é uma das bandas mais importante do estilo em todo o mundo, além de incorporar novas sonoridades, como a presença de metais nas gravações e influências diversas de todos os membros.

Que o grito nunca seja em vão! 1979 – 2018, CÓLERA, 39 anos sem nunca ter parado!

sexta-feira, 2 de março de 2018

CÓLERA – 2018


Financiamento coletivo para o lançamento de “ACORDE! ACORDE! ACORDE!”

Neste ano de 2018, a banda CÓLERA completa 39 anos de atividades ininterruptas, caminhando forte dentro do underground, e trás à tona o último projeto de Redson.

Por Ricardo Cachorrão Flávio / Foto: Eclenir P. Ferraz (Divulgação)




Sem lançar disco desde 2006, quando foi lançado o álbum “Primeiros Sintomas”, que trouxe regravações das primeiras composições da banda, feitas entre 1979 e 1980, o Cólera na sequência fez sua terceira turnê europeia, em 2008, e em 2009 fez turnê comemorativa de 30 anos por todo o Brasil. Tudo caminhava e nos meus vários encontros com o trio, lembro-me de cada detalhe do Redson me contando sobre seu projeto, criar a “Ópera do Caos”, uma ópera-punk, dentro do que seria o novo disco do Cólera, já intitulado naquela época como “Acorde! Acorde! Acorde!”.

Quis o destino que Redson não terminasse seu trabalho, e em 27 de setembro de 2011, chegou a notícia que abalou o mundo underground, o punk pacifista Redson Pozzi, líder, vocalista e guitarrista do Cólera, uma das mais importantes vozes do movimento punk brasileiro, veio a falecer, aos 49 anos de idade.

Ainda atordoados, estive com Pierre e Val durante todo o velório e enterro de nosso amigo-irmão, e a única certeza era de que “a banda não acabou”, e “essa seria a vontade do Reds”. Passado pouco mais de um mês, acertou-se a data de um tributo, no icônico, e agora fechado, Hangar 110, casa do Cólera e de boa parte do punk nacional. Ali estiveram Val e Pierre no palco recebendo inúmeros amigos, para prestar homenagens ao Redson. Ratos de Porão, Inocentes, 365, Lobotomia, Cama de Jornal, Hell Sakura, Invasores de Cérebros, Lixomania, Horda Punk, Não Religião, Garotos Podres, Kolapso77, Skamoondongos, Sociedade Sem Hino, amigos, fãs, todos juntos numa comoção difícil de expressar em palavras, e ali, o menino Wendel Barros, ex-roadie da banda, amigo e aluno do Redson, que era acostumado a cantar uma ou outra música do Cólera em vários shows, a convite do Redson, assumiu pela primeira vez a responsabilidade de levar o grito adiante.

Passados 3 anos da grande perda, depois de contar com os serviços de Anselmo Pessoa (Kolapso77 / Skamoondongos) e Cacá Saffioti (Garotos Podres / Kolpaso77) nas guitarras, a banda estabiliza em sua nova formação, que além do baixo de Val, a bateria de Pierre e a voz cada vez mais à vontade e bem recebida de Wendel, conta com a guitarra do garoto Fábio Belluci, multi-instrumentista, que tocava baixo na banda Sociedade Sem Hino e tem o interessante trabalho solo Satélites Fora do Ar, que chega injetando o sangue novo que a banda precisava para retomar o antigo projeto.

Sem parar de tocar por todo o país, com direito ainda a uma fugida para shows na Colômbia, o Cólera passou a concentrar esforços na produção do esperado disco novo, e, partindo do que ficou inacabado lá em 2006, “Acorde! Acorde! Acorde!” começa a se tornar realidade. A banda já havia gravado parte deste repertório, ainda com o Redson, mas sem letras definidas, apenas no “embromation”, para sentir como estava ficando e as turnês acabaram por deixar o trabalho parado. Localizadas as letras prontas nos escritos que o Redson deixou em casa, encaixaram letras e músicas, escreveram algo que faltava, terminaram arranjos inacabados, ensaiaram muito, tocaram alguma coisa em alguns shows para sentir a receptividade do público e o trabalho finalmente está pronto.

Para viabilizar o lançamento, o Cólera resolveu partir para uma iniciativa de crowdfunding, ou financiamento coletivo, tão utilizado nos tempos atuais, que possibilita a artistas dos mais variados estilos a aproximação com o público alvo, que se torna participante ativo do processo de lançamento de livros, discos, filmes ou qualquer outra coisa que se pense em lançar. Com valores para atender a todo tipo de consumidor, as pessoas podem, a partir de R$ 10,00, ter o direito ao download oficial do disco, ou várias outras recompensas, que vão de CD’s, LP’s, camisetas, buttons ou até mesmo um show exclusivo da banda em sua cidade.


“Acorde! Acorde! Acorde!”, é um título de duplo sentido, primeiro seria um grito de ordem, para o ser humano acordar e se mexer contra tudo o que está errado, sair da zona de conforto, não ser guiado e obedecer passivamente a tudo o que o oprime. E num segundo ponto, é para lembrar musicalmente o punk rock, os três acordes básicos da música, que são o fio condutor, mas não são únicos, pois, em constante evolução, o Cólera trás sempre novas tendências e sonoridades, neste trabalho, além da pegada forte de sempre com baixo, guitarra e bateria, teremos um trio de metais trazendo um ar de novidade.

Iniciada em 30 de janeiro e com prazo até dia 07 de março, a campanha de financiamento está aquecida e a expectativa é que a meta seja cumprida antes do prazo final, para participar e conhecer maiores detalhes basta acessar: https://www.catarse.me/colera

Este é o CÓLERA! Forte e grande é você!



domingo, 10 de dezembro de 2017

40 Anos de Punk – O Punk Não Morreu

Sesc Pompeia – São Paulo – De 18 a 26/11/2017



Novembro de 2017, e o templo sagrado conhecido como Sesc Pompeia abre as portas para a comemoração dos 40 anos do movimento punk, e os 35 anos da realização do festival e gravação do mítico disco “O Começo do Fim do Mundo”.


Por Ricardo Cachorrão Flávio


Tomando por base sua explosão, marcada com o lançamento, em 1977, dos discos “Never Mind the Bollocks – Here’s the Sex Pistols” e “The Clash”, neste ano temos a comemoração de quatro décadas ininterruptas de contestação do punk, um movimento que desde sempre dita regras, mudou estética, comportamento e fez da música algo acessível e possível a qualquer um, através do “faça você mesmo”.

Mas, é fato que há mais tempo que os 40 anos comemorados, em várias partes do mundo, o ideário punk já pulsava! Se nos Estados Unidos os Ramones já faziam barulho desde 1974, nos subúrbios de São Paulo, jovens inconformados andavam em bandos com suas jaquetas pretas, ouvindo “rock pauleira” e, por volta de 1975/76, já eram punks, mesmo antes do termo ser cunhado.

E, antes de dizer como foram as comemorações, faz-se necessário falar sobre a instituição Sesc, que sempre foi totalmente aberta a todos os tipos de manifestações culturais em todas as suas unidades! Seja mainstream, seja alternativo, sempre terá música, literatura, teatro, artes plásticas, saúde, boa alimentação, educação, esportes, lazer de todo tipo, para todos os públicos e idades, com preços baixos ou muitas vezes de graça. E, especificamente na unidade Pompeia, também multicultural como todas as outras, o punk tem um espaço especial desde sempre! Essas paredes já abrigaram tanta coisa importante do movimento punk, que pode ser chamado de casa!

Pois bem, a festa teve início de modo tímido, na sexta-feira, 18/11, com shows de nomes mais recentes do punk nacional, que possuem o seu público, mas não é o mesmo que queria comemorar 40 anos de festa, que foram os curitibanos do SUGAR KANE, na estrada desde 1997 e os paulistanos do QUESTIONS, desde 2000 como representantes de uma vertente mais pesada, um crossover de hardcore com metal.

A festa para a velharada começou na quinta-feira seguinte, 23/11, com dois nomes clássicos do punk brasileiro: LIXOMANIA & RATOS DE PORÃO, duas bandas que participaram do festival O COMEÇO DO FIM DO MUNDO, em 1982, cujo disco tosquíssimo gravado naquele ano acabou de ganhar uma caprichadíssima reedição, limitada, que conta com faixas bônus e um material gráfico impressionante, a cargo do selo Nada Nada Discos, que vem deliciando colecionadores de todos os cantos com vários relançamentos em vinil, 7”, 12” e cassete!

Moreno - Lixomania

 A LIXOMANIA subiu primeiro ao palco, com uma formação que já está bem azeitada e vem fazendo a alegria dos amigos há alguns anos, que trás Mauro Moreno no vocal, Rogério Martins na guitarra, o excelente ex-garoto, agora responsável pai de família, Luiz Cecílio no baixo e o veterano Miro de Melo na bateria. A banda trás seu velho repertório que vem desde o compacto “Violência & Sobrevivência”, de 1982, além de outras faixas conhecidas, presentes no disco “Não, Obrigado!”, de 2005, e apresenta faixas inéditas que farão parte de um novo disco que está sendo preparado pelos rapazes. Fazem seu papel, show da Lixomania é garantia de diversão e energia, e como boa surpresa, ainda tivemos a participação do Jão, guitarrista dos Ratos de Porão e do Periferia S/A dividindo os vocais com Moreno em “O Punk Rock Não Morreu” – e nunca morrerá.

Moreno, Miro de Melo, Jão (R.D.P.) e Luiz Cecílio

João Gordo - Ratos de Porão

Os RATOS DE PORÃO estão num estágio de profissionalismo impressionante, João Gordo, Jão, Juninho e Boka fazem um show para não deixar pedra sobre pedra. Sem lançar disco desde 2014, com o ótimo “Século Sinistro”, os Ratos são provavelmente a banda brasileira mais conhecida e bem sucedida do estilo, e recentemente estiveram fazendo mais uma turnê europeia, mas também uma animada turnê pela América Latina, os caras tem méritos e respeito. No show tocaram faixas de toda a carreira, mas em festa de punks velhos, foram as faixas do primeiro disco, “Crucificados Pelo Sistema”, que mais agitaram.

Jão - Ratos de Porão

 A sexta-feira foi de duas bandas que não participaram do festival de 1982, porém, estão na história como as primeiras bandas punks do Brasil, RESTOS DE NADA e AI-5, relembrando aquele que, dizem, foi o primeiro show do estilo no país, organizado pelo saudoso Kid Vinil, no porão de uma padaria, com chão de terra batida, no Jardim Colorado, Zona Leste de São Paulo, isso em 1979.

O AI-5 é uma das bandas mais obscuras de que se têm notícias, em atividade entre 1978 e 79, gravou uma fita demo precária e sumiu do mapa. Voltou a ser falado em 1995, quando os Ratos de Porão regravaram a faixa “John Travolta” em seu álbum de covers “Feijoada Acidente” e depois quando a mesma música, agora na versão original, apareceu na trilha sonora do documentário “Botinada – A Origem do Punk no Brasil”, de Gastão Moreira.

AI-5
Eis que em 2017, a banda ressurge, graças, principalmente, ao guitarrista Fausto Celestino, único membro da formação original da banda, que após o término dela fez parte de outra banda icônica, o Centúrias, pioneira no heavy metal nacional e ao Sr. Luiz Calanca, dono da loja e selo Baratos Afins, que tanta coisa já fez pela música brasileira e não para nunca, desta vez lançando em CD aquela fitinha demo que o AI-5 havia deixado perdida lá atrás.

Contando com, além de Fausto, o vocalista Memmeth, Fábio “Sarjeta” Rodarte no baixo e o baterista Marcelo Ladwig, o AI-5 empolgou o público do Sesc Pompeia com o repertório da fita / CD e teve uma pequena participação do jornalista e baterista Régis Tadeu. Excelente aquecimento para a avalanche que estava por vir.

Restos de Nada

 A banda RESTOS DE NADA acabou oficialmente em 2013, com o falecimento precoce de seu guitarrista e fundador Douglas Viscaino, porém, este ano apareceu a oportunidade de um show-tributo no Centro Cultural São Paulo com 50% da banda original, o vocalista Ariel Uliana e o baixista Clemente Nascimento, aquele mesmo dos Inocentes e da Plebe Rude, acompanhados de Luiz Abbondanza na guitarra e Nonô, dos Inocentes, na bateria. O show foi um sucesso estrondoso e resolveram repetir a dose agora nesta celebração do Sesc Pompeia. Sorte de quem presenciou.

Restos de Nada

 Calcada nas letras existencialistas de Clemente, Ariel e Douglas e no som curto, rápido e certeiro, que em 1978 pode ser chamado de um precursor do que viria a ser chamado de hardcore, o show do Restos de Nada é uma celebração que conta com clássicos do punk rock, como “Somos Todos Escravos de Um Balde de Lixo”, “Deixem-me Viver”, “Estrutura de Bronze” ou, talvez a música símbolo do que é o punk rock no Brasil, “Desequilíbrio”, letra do Índio, do Hino Mortal e Condutores de Cadáver, e melodia do Douglas, que encerrou o show de forma apoteótica, com o palco completamente lotado de punks cantado junto até o final. Emocionante!

O sábado veio com bandas que vieram depois da explosão do punk rock, fortemente influenciadas por ele, mas com sonoridade diferenciada, foi a noite pós-punk, dos ótimos PATIFE BAND e AS MERCENÁRIAS.

Paulo Barnabé - Patife Band

Liderada por Paulo ‘Patife’ Barnabé e formada por exímios instrumentistas, a banda faz uma mistura de ritmos que incluem o punk rock, com pitadas eruditas e forte pegada jazzística. Se não agradou aos punks mais radicais presentes, foi um prato cheio para quem gosta de música bem executada. Com repertório calcado no excelente álbum “Corredor Polonês”, de 1987, “Poema em Linha Reta”, “Pregador Maldito”, “Tô Tenso” (outra que os Ratos de Porão regravaram no “Feijoada Acidente”), “Big Stomach” ou a ótima versão de “Vida de Operário”, dos Excomungados, fez os fãs felizes. Grande show!

As Mercenárias

 AS MERCENÁRIAS hoje é um trio que trás a baixista / vocalista Sandra Coutinho como única participante original da banda, muito bem acompanhada pela guitarrista Marianne Crestani e pela baterista Pitchu Ferraz, velha conhecida que apareceu de volta à banda. O show tem músicas presentes nos clássicos álbuns “Cadê as Armas” (1986) e “Trashland” (1987), além de várias outras gravadas em demos,a apresentação das meninas é pesada e acelerada, e sempre empolga cantar com elas que “a polícia vem, a polícia vai... a polícia vem, a polícia vai... onde não é chamada”!

Domingo, 26 de novembro de 2017: um dia para ficar na história do punk rock brasileiro! Como foi dito lá no alto, o selo NADA NADA DISCOS, depois de ter feitos reedições luxuosas de inúmeros clássicos, como a coletânea “SUB”, o compacto “Violência e Sobrevivência”, da Lixomania, o “Miséria & Fome”, dos Inocentes, ou as demos das Mercenárias, tudo em vinil, agora acaba de relançar o disco “O COMEÇO DO FIM DO MUNDO”, gravado no mítico festival de 1982, que completa 35 anos agora.

Muniz - Fogo Cruzado

 Para tanto, o festival original foi recriado por quem fez parte, desde a réplica do pano de fundo de 1982, até os músicos que se revezaram no palco para tocar o álbum na íntegra! Foi uma festa bonita, emocionante! A “banda fixa” foi formada por Clemente Nascimento (Inocentes) na guitarra, Mingau (do Ultraje a Rigor, e que na época do festival, era guitarrista dos Ratos de Porão), no baixo e Muniz, baterista do FOGO CRUZADO, que abriram a festa com “Pânico em SP”, clássico composto por Clemente.

Clemente Nascimento

 É uma pena que muitos músicos originais desapareceram, uns morreram, outros caíram no mundo, mas quem ainda continua na ativa, ou não, mas foi localizado, abrilhantou o espetáculo. Mauricinho, vocalista dos Inocentes na época do disco “Grito Suburbano”, em 1982 fazia parte da banda JUÍZO FINAL, e subiu ao palco para cantar a música “Liberdade”.

Wagnão e Anderson - Dose Brutal

 Na sequência, os vocalistas Wagnão e Anderson mandaram bem em “Faces da Morte” e “Anarquia Organizada”, faixas de sua banda DOSE BRUTAL! Moreno, da Lixomania, na época tinha saído da banda, mas participa deste show cantando músicas de algumas das bandas não localizadas e manda em várias entradas e saídas do palco sons dos Desertores, Negligentes, Passeatas e Psykoze.

O conhecido Ronaldo Passos, guitarrista dos INOCENTES, sobe e explica que no festival original tocava na banda NEURÓTICOS, e como foi o único localizado, coube a ele cantar “Careca”, e mandou muito bem! Clemente que se cuide nos Inocentes!

Kiss - Fogo Cruzado
Chega a vez de Kiss, vocalista do FOGO CRUZADO subir ao palco depois de muitos anos e cantar três músicas da banda, “Ratos do Esgoto”, “União Entre os Punks do Brasil” e “Desemprego”, essas duas últimas com a participação dos atuais guitarrista e baixista da banda, Ari Baltazar (também da banda 365) e Anselmo Monstro (também dos Inocentes), foi um grande momento, quando também lembraram da recente morte do baixista Frango.

Barata - DZK / Decadência Social
Na sequência, sobe Barata, vocalista do DZK, para cantar “Decadência Social”, da banda DECADÊNCIA SOCIAL, que era o DZK original, que da atual formação tinha apenas o baterista Macarrão, e depois trocou de nome. Indião, do HINO MORTAL é chamado ao palco e manda “Câncer”, na sequência chamando Ariel para dividir os vocais em “Desequilíbrio”. Alê, da LIXOMANIA é o próximo, faz discurso, dá seu recado de agradecimento e manda aquela “música de punk pra punk”, canta “Punk!”, jogo ganho.

Índio e Ariel

Clemente, Muniz e Alê (Lixomania)
A ‘mestre de cerimônias’ do evento é a Tina Ramos, que faz todas as apresentações entre uma música e outra, ela é esposa de Ariel e punk velha conhecida de todos, que em 1982 era a ‘repórter punk’ que estava trabalhando no festival, a pedido do escritor Antônio Bivar, um dos responsáveis pela abertura do Sesc ao movimento.  Tina chama ao palco as SKIZITAS, Lila e Lucinha, que cantam “Todos Juntos Lutar”. Ariel retorna e faz uma homenagem ao amigo Zorro, compositor, baixista que era da banda M-19, falecido há pouco mais de um ano e canta “19 de Abril”.

Lucinha & Lila - Skizitas
Os INOCENTES originais, com dois vocalistas, sobem ao palco: Mauricinho e Ariel, Clemente no baixo e Callegari na guitarra. Faltou o baterista Marcelino assumir as baquetas, estava presente, mas não tocou.

Ariel e Mauricinho - Inocentes

 Mingau vai embora e quem assume o baixo é o Val, do CÓLERA, que sobe com Pierre na bateria e Wendel no vocal, quando tocam algumas faixas com Clemente na guitarra. Logo após, sobem Fabião, do OLHO SECO e Vladi do ULSTER.

Wendel e Val - Cólera
O show vai chegando ao fim, o palco é uma festa só, está repleto de amigos confraternizando, mas ainda faltava ouvir RATOS DE PORÃO, então Betinho, baterista original e quem deu nome à banda, canta “Vida Ruim”, com palco lotado.

O Punk Não Morreu
A festa acabou e é difícil descrever tudo o que aconteceu nesta noite, 40 anos de punk rock, e como sempre diz o Ariel, “ainda estamos em movimento”! Que a inconformidade, a rebeldia e a luta, durem muito mais.



Obs.: Texto publicado no ROCKONBOARD.

sábado, 18 de novembro de 2017

Pavilhão 9 “Antes Durante Depois”

Deck Disc – 2017

Por: Ricardo Cachorrão Flávio

Nota: 9,0




Onze anos se passaram desde o último disco, “Público Alvo” / 2006, cinco anos após a última reunião (para o show no Lollapalooza/2012) e eis que os camaradas aliados do Grajaú, Zona Sul de São Paulo, Rhossi e Doze, decidem se unir novamente e, com time totalmente novo, lançam outra pedrada no mercado, “Antes Durante Depois”!

Para uma banda que nunca escondeu a queda para, literalmente, meter o dedo na ferida, e, com a humildade de não querer mudar a cabeça de ninguém, mas, abrir os olhos de todos para a realidade, nesses 11 anos de hiato, acumulou-se material farto para ser trabalhado e cuspido sem dó na cara dos acomodados. As críticas sociais e políticas estão todas aí, tinindo.

Desde que saiu o primeiro single, “Tudo Por Dinheiro”, lançado nas plataformas digitais e com clipe no YouTube em julho passado, e ouvindo todas as outras nove faixas que compõe o álbum, de duas coisas têm-se certeza, a contundência das letras, presentes desde o primeiro álbum, “Primeiro Ato” (1992) e o peso sonoro característico dos clássicos discos “Cadeia Nacional” (1997), “Se Deus Vier, Que Venha Armado” (1998) e “Reação” (2000) estão inalterados. Mesmice? Não! DNA próprio, bem definido e bem feito.

Para esse renascimento, Rhossi e Doze convocaram um time bom, composto por Heitor Gomes no baixo (ex-Charlie Brown Jr. e CPM22), Rafael Bombeck na guitarra, Leco Canali (ex-Tolerância Zero) na bateria e o DJ MF, que não poderia faltar, na mais importante banda do rap-metal-core brasileira.

Da marcação do baixo, a guitarra pesada e o scratch que abrem o disco com “Antes Durante Depois”, de letra que me parece autobiográfica, passando por cacetadas como o já citado primeiro single “Tudo Por Dinheiro”, ou as ótimas “Acredita Não Duvida” ou “Os Guerreiros” até o encerramento suave com “Na Malandragem”, temos dez faixas curtas e certeiras, sem enrolação, sem lenga-lenga, é pau puro, o melhor do gangsta rap tupiniquim em pleno 2017!

Te cuida Rage Against de Machine! Pavilhão 9 na área! Com promessa de turnê em todo o país e, esperamos, que a volta não seja efêmera.

Doze e Rhossi - Show de lançamento de "Antes Durante Depois" - Sesc Pompeia - 11/11/2017

Obs.: Texto publicado originalmente no ROCKONBOARD.



Dropkick Murphys e Booze & Glory

Tropical Butantã – São Paulo – 29/10/2017


Por Ricardo Cachorrão Flávio



Em tempos em que a internet e as redes sociais deram voz aos imbecis, a confirmação de que os britânicos do Booze & Glory seriam os responsáveis pelos shows de abertura da aguardada turnê de retorno do Dropkick Murphys ao Brasil, foi gerada certa desconfiança de que poderíamos ter problemas com violência, o que, ainda bem, não se confirmou.

Somado ao fato do show de uma banda calcada no skinhead tradicional, aquele nascido ainda na década de 60, vindo da classe operária inglesa, do mod e dos rude boys do ska jamaicano, e que nada tem a ver com o fascismo de grupos de extrema-direita, mas tem a ver, sim, com diversão, futebol, cerveja e rock’n’roll, no mesmo dia dois outros grandes eventos na cidade, geraram certa tensão, o clássico São Paulo x Santos, pelo Campeonato Brasileiro de futebol, que, mesmo com torcida única sempre é um problema fora dos estádios, e um show de uma banda alemã de heavy metal em outra grande casa de shows, mas, nenhuma encrenca aconteceu em nenhum dos eventos ou nos caminhos onde seus públicos pudessem se cruzar.

Indo ao que interessa, pontualmente às 19:00, começa o som pré-gravado que introduz “Days, Months, Years”, faixa de abertura do show e do álbum “Chapter IV”, recém lançado pela banda e que vem sendo divulgado nesta turnê. O show segue a cartilha musical do “Oi”, ritmo dançante e com cantos que lembram hinos de estádio de futebol! E, apesar da banda não ser conhecida do grande público, a maioria dos presentes se empolga e canta junto a maioria das canções!

Álbum recém lançado - Chapter IV


Impressiona a quantidade de meninas no show, jovens e que conhecem tudo o que vem do palco! A banda, formada por Mark, guitarra e vocal, Liah, guitarra, banjo e vocal, o baixista Chema Zurita, que recentemente esteve no Brasil tocando com a banda Total Chaos e o baterista Frank, não dão muito espaço para respiração, o show é pau puro! E, para deixar as coisas bem claras, em determinado momento, o vocalista Mark diz que a banda despreza as manifestações de direita, são contra machismo, fascismo e homofobia. São ovacionados!

Com a dobradinha “London Skinhead Crew” e “Only Fools Get Caught” encerram em grande estilo um grande show de rock.

Depois da super bem sucedida turnê de 2014, quando os ingressos se esgotaram com seis meses de antecedência, e com trabalho novo na bagagem, o excelente “11 Short Stories of Pain & Glory”, é chegada a hora mais esperada, que é o show do Dropkick Murphys, talvez a mais importante banda de Celtic punk da atualidade!

Turnê calcada no excelente álbum "11 Short Stories of Pain & Glory"

Cinco minutos antes do programado, as luzes se apagam e a base pré-gravada de “The Lonesome Boatman”, faixa de abertura do último álbum da banda, introduz a celebração. Pontualmente às 20:30, Ken Casey, Al Barr, James Lynch, Tin Brennan, Jeff DaRosa e Matt Kelly sobem ao palco e regem a plateia sem cessar do começo ao fim do espetáculo.

O show serve como lançamento do novo álbum, de onde se ouvem várias ótimas canções como “Blood”, “Paying My Way”, “Rebels With a Cause”, “First Class Loser” ou a já manjada, e nunca dispensável “You’ll Never Walk Alone”, mas não faltam as velhas pedradas e alguns covers certeiros, como “I Fought the Law”, de Sonny Curtis – The Crickets, mas que ficou conhecida mesmo com o The Clash ou “If the Kids Are United”, do Sham 69.

Se todo o público já se empolga e canta inteiras as músicas novas, é com músicas como “Citizen C.I.A.”, “Rose Tattoo”, “Going Out in Style” ou “I’m Shipping Up to Boston” que a massa vai à loucura.


E é com invasão total de palco e união completa entre banda e fãs que a festa acaba, de alma lavada com um show de rock dos melhores que se pode ver! Que voltem sempre.

Obs.: Texto para o site ROCKONBOARD.