segunda-feira, 19 de novembro de 2018

MAX & IGGOR CAVALERA – “89/91 Era”



Tropical Butantã – São Paulo – 03/11/2018


Por Ricardo Cachorrão Flávio
Fotos: Divulgação


Um lindo sábado, quente, convidativo para uma cerveja bem gelada e um show de rock dos bons, e no mesmo dia e horário, a cidade apresenta três opções sensacionais: a estreia nacional do trio norte-americano EARTHLESS, com seu poderoso ‘hard-psychedelic rock’, a despedida dos palcos da icônica PATRULHA DO ESPAÇO, num show repleto de convidados especiais, e a nossa escolha MAX & IGGOR CAVALERA, trazendo os irmãos fundadores do SEPULTURA de volta aos palcos brasileiros tocando um repertório especial, desta vez calcado nos álbuns “Beneath the Remais” (1989) e “Arise” (1991).

Eis que as nuvens escurecem o céu até então lindo e desaba o temporal! A região do Butantã é bem castigada, cai a energia elétrica nas ruas e o caos se instala. Chegando ao Tropical Butantã, o alívio de ver a casa iluminada no meio de uma vizinhança no breu absoluto. Um sanduíche na porta, mais uma cervejinha e as primeiras sensações de empolgação com o pessoal chegando para a festa.

Max Cavalera é um cara inquieto, acabou de lançar o 11º álbum do excelente SOULFLY, (“Ritual”), no ano passado saiu o 4º trabalho do CAVALERA CONSPIRACY (“Psychosis”), trabalho ao lado de seu irmão Iggor, e depois de rodar o mundo com a turnê “Return to Roots”, é a vez de nova turnê com velho repertório. “89/91 Era” revisita os discos que sacramentaram o SEPULTURA como um dos maiores nomes do thrash metal em todo o mundo, e, em minha modesta opinião, mostra o quanto Max parece arrependido de ter abandonado o barco, logo após o lançamento de “Roots”, em 1996.

O fato é que foi Max quem abandonou o Sepultura e nunca demonstrou o menor interesse em manter o nome da banda. Logo na sequência formou o Soulfly e viajou o mundo inteiro com a banda que ele podia chamar de DELE, mas, basta ler sua autobiografia (“My Bloody Roots”), para saber do quanto o Sepultura lhe faz falta e o quanto ele tem vontade de uma reunião, que, pelo que parece, nunca ocorrerá. Iggor manteve-se mais 10 anos no Sepultura, até que chegou a conclusão de que não queria mais aquilo, depois de gravar mais 6 álbuns com a banda sem o irmão. Reencontraram-se, fizeram as pazes e criaram a pancada Cavalera Conspiracy, cujos registros são ótimos.

Enquanto isso, Andreas Kisser e Paulo Junior mantiveram e recriaram o Sepultura, com o bom Derrick Green à frente, que hoje, conta mais tempo de banda que Max. Lançaram discos criticados por velhos fãs, mas ganharam muitos novos, e sempre tiveram a crítica a seu favor. Portanto, por mais que este show seja nostálgico e tenha me levado a relembrar os shows que vi em 1991, que hoje são tidos como “míticos”, que foram no Rock in Rio 2, no Maracanã, e na Praça Charles Müller, em São Paulo, é injusto dizer que “esse é o verdadeiro Sepultura”, como ouvi de diversos fãs emocionados na quente pista do Tropical Butantã.

Voltando ao que rolou na casa, com um calor insuportável, graças à falta de energia elétrica no bairro e todos os aparelhos de ar condicionado desligados, numa casa funcionando a base de geradores, tivemos três bandas de abertura, o que é legal para a rapaziada nova que tem a chance de se apresentar para um público grande, mas que é extremamente cansativo para quem está ali para ver apenas a atração principal e não tem muito interesse em coisas novas, com cara de velhas.

Ultra Violent, banda escolhida através de votação no Facebook, trouxe um thrash metal sem novidades, cantado em Português, vindos de Guarapuava, no Paraná, seguidos do Deaf Kids, de Volta Redonda, Rio de Janeiro, mas baseados em São Paulo, com um som pesado e repleto de gritos psicodélicos cheios de efeitos e finalizando, o Endrah, paulistanos com vocalista gringo mandando um hardcore intenso, mas que não empolgou, basta saber que o vocalista Relentless cansou de pedir para o público abrir uma roda e não foi atendido nenhuma vez.

O que veio a seguir foi celebração, pura e simples. O show abriu com “Beneath the Remais”, e o público, misto de velhos fãs e molecada que nunca viu o Sepultura original no palco, cantou palavra por palavra o que Max mandava lá do alto. A sequência com “Inner Self”, com sua voz original, arrepia e o público fica insano com o que a banda manda depois: “Stronger Than Hate”, “Mass Hypnosis”, “Slaves of Pain”, “Primitive Future”, intercaladas com frases e gritos de ordem da Max, que pede incansavelmente mãos para o alto em meio a um sem número de palavrões, básicos para quem o conhece no palco.

O calor que já era insuportável na pista, mesmo com duas portas laterais abertas para ventilar, aumenta com a massa sonora que a banda manda, e chega a vez do álbum “Arise” ser relembrado, com a faixa-título seguida dos petardos “Dead Embryonic Cells”, “Desperate Cry”, “Altered State” e “Infected Voice”!

E o que já era terra devastada, acaba por ruir com duas faixas seguidas do Motörhead, a já conhecida versão de “Orgasmatron”, que aparece em “Arise”, seguida de “Ace of Spades”, com Max sem guitarra, apenas atacando de vocalista! Saem do palco e Max diz, “voltaremos para tocar mais, mas gritem, porra!”

Rapidinho a banda volta, e em grande estilo, “Troops of Doom”, do primeiro disco do Sepultura, “Morbid Visions”, de 1986, talvez a música que Max Cavalera mais tenha tocado em sua carreira, pois sempre figura no repertório de qualquer uma de suas bandas. O bis continua com a faixa de abertura do “Chaos A.D.”, “Refuse/Resist”, seguida de “Roots Bloody Roots”, o que já era o suficiente para qualquer um ir para casa com alma lavada, mas, ainda tiveram fôlego para mandar um medley com “Beneath the Remais / Arise / Dead Embryonic Cells”.

Show excelente, para relembrar velhos e bons tempos. Desnecessário o grito de “Sepultura! Sepultura!” que alguns puxaram ao fim do show, logo trocados por “Max! Max! Igor! Igor!”, aí sim, terminamos muito bem a noite!



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Pensamentos que fluem!



Esse foi o nome de um blog que mantive por um bom tempo, há uns 15 anos! Antes de fazer entrevistas, escrever colunas e matérias para várias revistas, sites e rádio.

Funcionava como um "fanzine eletrônico", onde eu costumava resenhar novos discos das bandas que eu gosto, contar histórias de velhos clássicos do rock, indicava livros, cinema, teatro, abria espaço para poesia e, divagava muito sobre política e a situação do país e do mundo, sempre com espaço aberto ao debate.

Um breve histórico, porque a situação atual me faz a cabeça ficar à mil por hora, e os pensamentos fluem, sem parar!

Estava agora a pouco visitando um amigo e conversamos sobre música, movimento punk e política! Chegamos ao ponto: ANARQUISMO!

Eu, particularmente, sempre admirei as teorias anarquistas, e tudo o que é relacionado a auto-gestão. Sempre admirei e respeito! Porém, acredito que em nossa sociedade, com um povo sem cultura e educação, a anarquia é uma utopia! Não acredito na auto-gestão, com pessoas que não são capazes de pensar por si próprias, sempre existem líderes.

Tenho muitos amigos anarquistas, eles conhecem minha opinião e nos respeitamos, sempre e acima de tudo. Daí chegamos em outro ponto: ELEIÇÃO. Bonito dizer que não vota em ninguém e não sustenta parasitas, mas a situação atual pede uma análise mais criteriosa se esse não é o momento de mudar a atitude.

E é neste ponto que bato na tecla e chego a fazer um apelo: manter-se sob a ideologia anarquista, insistir no voto nulo ou na abstenção, não será inteligente da parte de ninguém! Não se trata de política partidária, não se trata de sigla, se trata de uma luta pela liberdade, pela igualdade! Temos em nossas mãos o poder de impedir que o fascismo tome conta de nossa terra!

É nítido que tempos sombrios se avizinham, é claro que o autoritarismo que eu cheguei a viver está louco para retornar. Mas podemos evitar. DEPENDE DE UNIÃO! DEPENDE DE TODOS NÓS!

#EleNÃO #EleNunca #EleJamais #EleNemFodendo