sábado, 18 de novembro de 2017

Pavilhão 9 “Antes Durante Depois”

Deck Disc – 2017

Por: Ricardo Cachorrão Flávio

Nota: 9,0




Onze anos se passaram desde o último disco, “Público Alvo” / 2006, cinco anos após a última reunião (para o show no Lollapalooza/2012) e eis que os camaradas aliados do Grajaú, Zona Sul de São Paulo, Rhossi e Doze, decidem se unir novamente e, com time totalmente novo, lançam outra pedrada no mercado, “Antes Durante Depois”!

Para uma banda que nunca escondeu a queda para, literalmente, meter o dedo na ferida, e, com a humildade de não querer mudar a cabeça de ninguém, mas, abrir os olhos de todos para a realidade, nesses 11 anos de hiato, acumulou-se material farto para ser trabalhado e cuspido sem dó na cara dos acomodados. As críticas sociais e políticas estão todas aí, tinindo.

Desde que saiu o primeiro single, “Tudo Por Dinheiro”, lançado nas plataformas digitais e com clipe no YouTube em julho passado, e ouvindo todas as outras nove faixas que compõe o álbum, de duas coisas têm-se certeza, a contundência das letras, presentes desde o primeiro álbum, “Primeiro Ato” (1992) e o peso sonoro característico dos clássicos discos “Cadeia Nacional” (1997), “Se Deus Vier, Que Venha Armado” (1998) e “Reação” (2000) estão inalterados. Mesmice? Não! DNA próprio, bem definido e bem feito.

Para esse renascimento, Rhossi e Doze convocaram um time bom, composto por Heitor Gomes no baixo (ex-Charlie Brown Jr. e CPM22), Rafael Bombeck na guitarra, Leco Canali (ex-Tolerância Zero) na bateria e o DJ MF, que não poderia faltar, na mais importante banda do rap-metal-core brasileira.

Da marcação do baixo, a guitarra pesada e o scratch que abrem o disco com “Antes Durante Depois”, de letra que me parece autobiográfica, passando por cacetadas como o já citado primeiro single “Tudo Por Dinheiro”, ou as ótimas “Acredita Não Duvida” ou “Os Guerreiros” até o encerramento suave com “Na Malandragem”, temos dez faixas curtas e certeiras, sem enrolação, sem lenga-lenga, é pau puro, o melhor do gangsta rap tupiniquim em pleno 2017!

Te cuida Rage Against de Machine! Pavilhão 9 na área! Com promessa de turnê em todo o país e, esperamos, que a volta não seja efêmera.

Doze e Rhossi - Show de lançamento de "Antes Durante Depois" - Sesc Pompeia - 11/11/2017

Obs.: Texto publicado originalmente no ROCKONBOARD.



Dropkick Murphys e Booze & Glory

Tropical Butantã – São Paulo – 29/10/2017


Por Ricardo Cachorrão Flávio



Em tempos em que a internet e as redes sociais deram voz aos imbecis, a confirmação de que os britânicos do Booze & Glory seriam os responsáveis pelos shows de abertura da aguardada turnê de retorno do Dropkick Murphys ao Brasil, foi gerada certa desconfiança de que poderíamos ter problemas com violência, o que, ainda bem, não se confirmou.

Somado ao fato do show de uma banda calcada no skinhead tradicional, aquele nascido ainda na década de 60, vindo da classe operária inglesa, do mod e dos rude boys do ska jamaicano, e que nada tem a ver com o fascismo de grupos de extrema-direita, mas tem a ver, sim, com diversão, futebol, cerveja e rock’n’roll, no mesmo dia dois outros grandes eventos na cidade, geraram certa tensão, o clássico São Paulo x Santos, pelo Campeonato Brasileiro de futebol, que, mesmo com torcida única sempre é um problema fora dos estádios, e um show de uma banda alemã de heavy metal em outra grande casa de shows, mas, nenhuma encrenca aconteceu em nenhum dos eventos ou nos caminhos onde seus públicos pudessem se cruzar.

Indo ao que interessa, pontualmente às 19:00, começa o som pré-gravado que introduz “Days, Months, Years”, faixa de abertura do show e do álbum “Chapter IV”, recém lançado pela banda e que vem sendo divulgado nesta turnê. O show segue a cartilha musical do “Oi”, ritmo dançante e com cantos que lembram hinos de estádio de futebol! E, apesar da banda não ser conhecida do grande público, a maioria dos presentes se empolga e canta junto a maioria das canções!

Álbum recém lançado - Chapter IV


Impressiona a quantidade de meninas no show, jovens e que conhecem tudo o que vem do palco! A banda, formada por Mark, guitarra e vocal, Liah, guitarra, banjo e vocal, o baixista Chema Zurita, que recentemente esteve no Brasil tocando com a banda Total Chaos e o baterista Frank, não dão muito espaço para respiração, o show é pau puro! E, para deixar as coisas bem claras, em determinado momento, o vocalista Mark diz que a banda despreza as manifestações de direita, são contra machismo, fascismo e homofobia. São ovacionados!

Com a dobradinha “London Skinhead Crew” e “Only Fools Get Caught” encerram em grande estilo um grande show de rock.

Depois da super bem sucedida turnê de 2014, quando os ingressos se esgotaram com seis meses de antecedência, e com trabalho novo na bagagem, o excelente “11 Short Stories of Pain & Glory”, é chegada a hora mais esperada, que é o show do Dropkick Murphys, talvez a mais importante banda de Celtic punk da atualidade!

Turnê calcada no excelente álbum "11 Short Stories of Pain & Glory"

Cinco minutos antes do programado, as luzes se apagam e a base pré-gravada de “The Lonesome Boatman”, faixa de abertura do último álbum da banda, introduz a celebração. Pontualmente às 20:30, Ken Casey, Al Barr, James Lynch, Tin Brennan, Jeff DaRosa e Matt Kelly sobem ao palco e regem a plateia sem cessar do começo ao fim do espetáculo.

O show serve como lançamento do novo álbum, de onde se ouvem várias ótimas canções como “Blood”, “Paying My Way”, “Rebels With a Cause”, “First Class Loser” ou a já manjada, e nunca dispensável “You’ll Never Walk Alone”, mas não faltam as velhas pedradas e alguns covers certeiros, como “I Fought the Law”, de Sonny Curtis – The Crickets, mas que ficou conhecida mesmo com o The Clash ou “If the Kids Are United”, do Sham 69.

Se todo o público já se empolga e canta inteiras as músicas novas, é com músicas como “Citizen C.I.A.”, “Rose Tattoo”, “Going Out in Style” ou “I’m Shipping Up to Boston” que a massa vai à loucura.


E é com invasão total de palco e união completa entre banda e fãs que a festa acaba, de alma lavada com um show de rock dos melhores que se pode ver! Que voltem sempre.

Obs.: Texto para o site ROCKONBOARD.

sábado, 21 de outubro de 2017

U2 - The Joshua Tree Tour / 2017

A The Joshua Tree Tour nos traz de volta com força e peso um U2 muito mais Rock.

Por Silvia Briani



A noite começa com apresentação agradável do Noel Gallagher’s High Flying Birds que traz 6 ótimas músicas do trabalho solo de Noel Gallagher mas não empolgam muito o público, até pela postura contida do músico, apesar dele dedicar a última música do show para o jogador Gabriel Jesus. Os vocais da plateia se aquecem quando Noel trás covers de sua antiga banda Oasis, e o show se encerra após uma hora.

Ao som da música de introdução “ The Whole of the Moon” (The Waterboys), o baterista Larry Mullen Jr. entra sozinho e caminha em direção a bateria montada no pequeno palco anexo que fica no meio do púbico, despretensioso, senta, se ajeita e já de cara manda forte na bateria o começo de “Sunday Bloody Sunday”. Na sequência vem entrando The Edge tocando a guitarra, Bono entra cantando, e o último a se juntar a eles é o baixista Adam Clayton. Começo de show avassalador. Estádio lotado e as pessoas pulando compactamente. O show segue em ritmo forte, e sem pausa, Adam Clayton já engata o baixo com New Year’s Day, também do álbum War de 1983 e na sequência “Pride” deixando claro que o show testaria as coronárias da maioria dos fãs ali presentes. Talvez a comemoração dos 30 anos de “The Joshua Tree” tenha deixado em casa a molecada. O público que ali se viu era realmente de fãs mais antigos da banda, ansiosos por ver seus clássicos de adolescência ao vivo.

Aos primeiros acordes de “Bad”, Bono Vox fala que o universo conspirava para que essa fosse uma noite épica de Rock’n’Roll. Então ele convida a que todos se rendam uns aos outros, e à música. A bela canção “Bad” flui emocionante, dedicada no Brasil à Renato russo e Cazuza, a música termina emendando “Heroes” de David Bowie, e alguns que se deixam levar pela forte energia do momento vem às lágrimas. Até aí a banda se apresentava de maneira crua no palco anexo (aquele que vai até o meio do público), atestando que não precisam de efeitos e pirotecnia para levar os mais de 70 mil presentes à loucura. Performances perfeitas, cruas, pesadas, claramente mais “raiz” e menos “nutella”.



As primeiras notas de “Where the streets have no name” anunciam o início da parte principal da noite, enquanto todos da banda se dirigem ao palco grande, ao mesmo tempo em que o telão começa a exibir a grande árvore em um fundo vermelho. As sombras de Bono, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton complementam a impactante beleza da imagem no imenso telão que vai de um lado a outro do palco. Era a hora da ‘estrela da noite’ – “The Joshua Tree” estava começando. The Edge, com seu estilo único, dá os primeiros acordes da música e a galera ovaciona. Bono manda muito bem no vocal potente e emocionado. O estádio vai à loucura. Apoteótico.

O coro de 70 mil vozes que desde a primeira música acompanhava Bono Vox em cada verso, não fez diferente em “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “With Or Without You”. As luzes dos celulares davam aquele efeito bonito em todo o estádio. Na sequência “Bullet the Blue Sky” vem forte, com peso e guitarra desconcertante, perfeita e contrastante introdução para a linda “Running to Stand Still” que a galera cantou juntamente em coro com Bono Vox.
A banda trouxe peso e paixão às músicas mais lado B do álbum, lembrando a pegada das performances ao vivo do filme “Rattle and Hum” de 1988, mas, nitidamente, o público aproveitou as músicas menos conhecidas para dar aquela respirada, apreciá-las, acalmar o coração, cantar e se preparar para a porrada seguinte, que certamente viria. Assim foi durante “Red Hill Mining Town”, “In God’s Country”, “Trip Through Your Wires”, com Bono e sua gaita e “One Tree Hill”. Para a introdução da música seguinte, o telão mostra o trecho de um filme americano mais antigo, onde temos um personagem chamado Trump que, curiosamente, fala sobre a construção de um muro. Crítica direta, e então “Exit” veio com a força do baixo, da voz, e dos trechos estrondosos de bateria e guitarra. Montanha russa de porrada e calmaria traduzindo a mensagem da música sobre o contraste e dualidade moral entre amor e ódio que permeiam a mente de um assassino perturbado, como bem explicou o próprio Bono Vox em 1987 ao fazer a introdução da música em um show "Essa canção é sobre um homem religioso... que se tornou um homem muito perigoso, e que não conseguiu entender o mistério das mãos do amor", Talvez a parte mais pesada do show.

O U2 tem o dom de transformar cada show em um ato político, e com esse não seria diferente. O próprio álbum “The Joshua Tree” surgiu com esse contexto há 30 anos, e revivê-lo hoje não foi somente uma saudosista exibição de um álbum clássico. A banda soube contextualizar com maestria as questões políticas e críticas de suas músicas mais antigas aos acontecimentos e retrocessos políticos e sociais de hoje pelo mundo, inclusive o Brasil. Além do discurso direto, as críticas e mensagens reflexivas estavam presentes no telão, que sincronicamente complementavam as execuções musicalmente fortes que aconteciam no palco. "Mothers of the Disappeared" encerra a apresentação do álbum “The Joshua Tree”, com o agradecimento de Bono Vox ao público por ouvi-lo. Vem então a primeira pausa oficial do show.

Os irlandeses voltam ao palco em clima de festa com “Beautiful Day”e o Morumbi treme ao som de “Elevation”, seguida de outro hit da banda, “Vertigo”. O protesto fica por conta de vários closes dados às costas do baterista Larry Mullen Jr. que trazia uma estampa contra a censura às costas.

Nova pausa e a banda volta com a nova "You're the Best Thing About Me" e "Ultraviolet (Light My Way)" que foi dedicada às mulheres, celebrando a força transformadora de grandes mulheres do mundo, conhecidas ou não, mas que são verdadeiras heroínas que em seus contextos sociais resistem, nsistem e persistem a luta por seus direitos e abrem caminhos na história enquanto no telão apareciam fotos de grandes mulheres como Frida Kahlo, Madre Teresa, Tarsila do Amaral, Maria da Penha, Michelle Obama, Eva Peron, Patti Smith, e também imagens de mulheres ativistas anônimas. Lindo e forte.

O show se encerra com Bono passando sua mensagem aos brasileiros, lembrando enfaticamente que anos atrás o Brasil mostrou ao mundo como cuidar das pessoas mais vulneráveis com dignidade, claramente se referindo às políticas de igualdade adotadas pelos governos anteriores, e Bono pede que os brasileiros reconheçam a verdadeira importância disso, e como isso fez a diferença, e pede que o povo, estudantes, doutores, ativistas LBGT, todos se unam em uma só liderança e trabalhem juntos para salvar vidas dos mais pobres e mais vulneráveis, reforçando que somos mais poderosos quando trabalhamos em conjunto como "Um", palavra substituída simplesmente pela introdução dos primeiros acordes da música "One".

Sim, o universo conspirou a favor. A noite foi épica. Uma mega apresentação, digna de uma mega banda que não deixou para trás suas raízes. Não teve “selinho no Bono”, a pegada dessa turnê é claramente outra. A presença de palco de todos os integrantes transparece a paixão, tesão da banda por fazer esse trabalho em 2017. Bono sempre muito expressivo, cantou com voz potente e apaixonada. Sem dúvida o melhor show entre todos que a banda já fez no Brasil. Sejam bem vindos de volta ao Rock’n’Roll! Nós preferimos vocês assim.


Set List
Noel Gallagher's High Flying Birds:
Everybody's on the Run
Lock All the Doors
In the Heat of the Moment
Riverman
Champagne Supernova
Holy Mountain
Half the World Away
Little by Little
Wonderwall
Don't Look Back in Anger
AKA... What a Life!

Set List
U2:
Sunday Bloody Sunday
New Year's Day
Bad
Pride (In the Name of Love)
Where the Streets Have No Name
I Still Haven't Found What I'm Looking For
With or Without You
Bullet the Blue Sky
Running to Stand Still
Red Hill Mining Town
In God's Country
Trip Through Your Wires
One Tree Hill
Exit
Mothers of the Disappeared
Beautiful Day
Elevation
Vertigo
You're the Best Thing About Me
Ultraviolet (Light My Way)

One


Observações:

1. Ao contrário do que geralmente acontece, para este show especificamente, deixei a cobertura para ser feita por minha esposa, Silvia Briani, que fez um ótimo relato do que aconteceu.

2. Este texto foi publicado originalmente no Rockonboard e no site da produtora Midiorama.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Foo Fighters - “Concrete and Gold”



RCA / Roswell – 2017

Por: Ricardo Cachorrão Flávio

Nota: 10,0


Três anos após o projeto “Sonic Highways”, que incluiu CD e seriado na HBO, repleto de convidados especiais, e uma ameaça de término da banda, eis que David Grohl e seus asseclas jogam novo álbum no mercado, o nono de estúdio, “Concrete and Gold”!

Depois de mais de 20 anos de banda, com uma formação estabilizada depois de um início repleto de trocas, turnês por todo o mundo, milhões de discos vendidos, o que fazer para manter o pique e continuar na estrada? Parece que David Grohl decidiu se divertir: em seu caso, compor e gravar, com a participação de um monte de amigos!

Após o projeto inicial de se gravar ao vivo diante de 20.000 pessoas no anfiteatro do Hollywood Bowl, Grohl mudou de ideia ao saber que PJ Harvey já havia feito o mesmo recentemente, trancou a turma dentro de um estúdio e Los Angeles e mudou de produtor, sai Butch Vig que tanto fez pelo grunge e entra Greg Kurstin, produtor pop responsável pelo trabalho de artistas como Kate Perry e Adele. Com a ideia de se construir algo como “Motörhead tocando Sgt. Peppers” ou “Slayer gravando Pet Sounds”, nasceu “Concrete and Gold”.

Um dos destaques deste disco são as participações especiais, e aqui temos muitas, a saber: o ídolo pop Justin Timberlake fazendo os backing vocals na boa faixa “Make It Right”, Shawn Stockman, vocalista do Boyz II Men, na faixa título “Concrete and Gold”, que encerra o álbum, Inara George, cantora da banda The Bird and the Bee, da qual faz parte o produtor Greg Kurstin, desfilando seu talento nos vocais da faixa “Dirty Water”, a cantora Alison Mosshart, do The Kills, aparece em duas faixas, “La Dee Da” e no single “The Sky Is a Neighborhood”, o saxofonista Dave Koz também aparece em “La Dee Da” e o velho Paul McCartney toca bateria na faixa “Sunday Rain”.

Sobre o álbum, em linhas gerais, e é redundante dizer isso, mas, a melhor definição é que se trata de um disco do Foo Fighters! Pop rock bem feito, que se reconhece com poucos acordes. Como nos oito álbuns anteriores, não existe uma faixa que de destaque, todo ele é linear e se deixa ouvir por inteiro.

Abrindo com a faixa-vinheta “T-Shirt”, que começa lenta tem um ápice enérgico e amansa novamente e dá o tom do disco, barulho bem feito, bem misturado com climas que lembram psicodelia dos anos 60. A faixa seguinte, “Run”, vem emendada na primeira, parecendo uma coisa única, aí já entendi o que Grohl quis dizer sobre “Slayer fazendo Pet Sounds”.

“Make It Right” é a faixa cujos fãs radicais já torceram o nariz antes de ouvir, pela participação do ídolo pop Justin Timberlake. Grande bobagem! A canção é ótima... guitarras lembrando ZZ Top talvez, com um certo suingue hard, candidata a hit.

“The Sky is a Neighborhood”, que já havia sido mostrada antes do lançamento do álbum segue a cartilha Foo Fighters, no mesmo esquema Ramones / AC/DC / Motörhead, são vários discos lançados, todos bons, todos com a mesma cara.

Em “Dirty Water” temos a faixa mais calminha do disco até aqui, bom para descansar os ouvidos, pelo menos até metade da canção, quando a coisa toma corpo.

“Happy Ever After (Zero Hour)”, é aquela música para o set acústico que a banda costuma fazer no meio do show, para baixar a adrenalina e acalmar o público, uma bela balada. “Sunday Rain” é um excelente rock, e com Sir Paul McCartney no lugar do excelente baterista Taylor Hawkins, dispensa maiores apresentações.


“Concrete and Gold” é um grande trabalho de Dave Grohl, Taylor Hawkins, Nate Mendel, Chris Shiflett, Pat Smear e Rami Jaffee, tecladista que acompanha a banda há anos e, pela primeira vez é dado oficialmente como membro do, agora sexteto, Foo Fighters! Agora é esperar pela prometida turnê mundial, com previsão de chegada ao Brasil para fevereiro ou março, dizem, juntamente com Queens of the Stone Age, é aguardar e ver para crer.





Texto publicado originalmente no ROCKONBOARD.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

SÃO PAULO TRIP – 1ª Noite

Alter Bridge / The Cult / THE WHO

Allianz Parque – São Paulo – 21/09/2017


Por Ricardo Cachorrão Flávio


Quinta-feira quente em São Paulo, e expectativa incontrolável para a primeira apresentação do THE WHO na América Latina, na versão paulistana e reduzida do Rock in Rio / 2017, o São Paulo Trip, onde, por incrível que possa parecer, apesar de lotado, o dia com The Who, a mais importante das bandas do festival, foi o que menos vendeu ingressos, atrás das datas com Bon Jovi, Aerosmith e Guns’N’Roses como headliners.

Alter Bridge

Com os bares lotados em volta do estádio e os ambulantes faturando alto com cerveja e refrigerantes, ouve-se o som do lado de fora, e é a ALTER BRIDGE que já está no palco. Entrando para conferir, não se vê qualquer coisa que impressione, apenas uma banda que até apresenta competência técnica, mas que não tem absolutamente nada a dizer, banda para meninas que gostam de um rostinho bonito e um monte de clichês, em minha opinião, deveria estar escalada na mesma noite do Bon Jovi, mas segundo conversas de bastidores, o próprio Jon Bon Jovi que barrou a escalação.

Ian Astbury - The Cult

Para a alegria do público mais velho que é maioria no local, o show de abertura acaba rápido e após breve intervalo, o THE CULT sobe ao palco. O vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy comandam o show, com seu hard rock poderoso e coeso. Astbury reclama um pouco de que não parece estar em São Paulo, pois o público não o acompanha em todos os chamados de coro, mas parte disso é culpa da própria banda, que poderia ter preparado um set com mais cara de “festival”, hits em seu repertório não faltam para isso. De todo modo, foi um excelente show de rock’n’roll, onde se ouviram “Wild Flower”, “Rain”, “Lil’Devil”, “Sweet Soul Sister”, “She Sells Sanctuary”, “Fire Woman” e “Love Removal Machine”, entremeadas em outras faixas não tão conhecidas.




No telão atrás do palco começam aparecer imagens relacionadas ao grande nome da noite, alguns textos falando sobre Daltrey, Townsend, Entwistle e Moon, pedidos para não fumarem pois Roger é alérgico, propaganda da Champanhe recém lançada pelo vocalista e o que todos esperam, em bom português: “ MANTENHA CALMA AÍ VEM O THE WHO”! Luzes apagadas, banda no palco e “I Can’t Explain” começa a celebração e faz o público ir ao delírio!

Roger Daltrey - The Who

Como vinham prometendo em entrevistas antes do show, a banda cumpriu e trouxe ao Brasil um espetáculo para nenhum fã esquecer, para compensar a longa ausência e trouxe um repertório digno de mega evento, com músicas que fazem parte da história do rock. A sequência da noite veio com “The Seeker” e em “Who Are You”, tudo veio abaixo!

Daltrey ainda canta muito bem, do alto de seus 73 anos, e Townsend é quem mais interage com a plateia e fala de sua felicidade pela primeira visita ao Brasil, e os sucessos vem um atrás do outro: “The Kids Are Allright”, “I Can See for Miles” e “My Generation” são cantadas em uníssono por todos os presentes e “Bargain” dá uma acalmada na galera.

Uns segundos para um fôlego e “Behind Blues Eyes” é a próxima canção, que emociona tanto quanto a sequência com “Join Together” e “You Better You Bet”. Ao decorrer do show, nota-se bem que por toda sua longevidade, o The Who passou por inúmeras mudanças em sua sonoridade, do rock mais básico e cru, às viagens lisérgicas / progressivas / psicodélicas, todas essas fases, cobertas de muita qualidade.

Pete Townsend - The Who

Pete Townsend empunha um violão e anuncia que tocará três canções da ópera-rock “Quadrophenia”, e vem “I’m One”, “The Rock” e “Love, Reign O’er Me”.

“Eminence Front”, do pouco falado álbum “It’s Hard”, de 1982, é a próxima música, que antecede outro momento ópera rock, com a execução seguida de “Amazing Journey”, “Sparks”, “Pinball Wizard” e “See Me, Fell Me”, todas de “Tommy”, álbum de 1969.

Todos sabem que a apresentação está chegando ao seu final, e para tanto, sacam duas canções do aclamado disco “Who’s Next”, de 1971, as lindas “Baba O’Riley”, que os fãs mais novos conhecem como música tema do seriado de TV CSI, e a fantástica viagem de “Won’t Get Fooled Again”, que vem encerrando os shows da banda por todo o mundo.

THE WHO

A grande surpresa é que após a despedida, a banda volta ao palco para um esperado ‘bis’, que não costumam fazem em nenhum lugar do mundo, e tocam a clássica “5:15”, também da ópera rock “Quadrophenia”. E, se a surpresa foi grande com um ‘bis’, quem diria que voltariam novamente e ouvimos “Substitute”, single de 1966, e que a banda não costuma tocar. Povo em êxtase, banda feliz e bem humorada, com semblante cansado, após a última música, Townsend pega o microfone e diz sorrindo “GO HOME! GO HOME!”, como quem dizendo, “tchau, não aguento mais, vão para suas casas”!


Foi uma noite histórica! 53 anos após sua criação, o The Who fez a festa no Brasil, e, deve ser a última vez! Quem viu, viu!


Texto publicado no ROCKONBOARD.

domingo, 21 de maio de 2017

KID VINIL



Recebi a notícia ontem...TRAVEI! Quis expressar algo... Não conseguia!

Qualquer pessoa que gosta de rock no Brasil, pode negar, pode nem saber, mas de alguma forma, deve algo a ele. KID VINIL era o cara do Magazine, aquele que eu imitava nas festas de família quando tinha 10 ou 11 anos de idade, e ficava cantando e dançando loucamente junto de meus primos e irmão, a música "Sou Boy" - um de seus maiores sucessos, lançados nos anos oitenta.

Admito que nunca gostei muito de ouvir rádio, mas ele foi o cara que me fazia parar para ouvir e eu dedicava meu tempo com prazer para escutar sua voz na 89 FM e também na Brasil 2000. E ele era o cara que eu gostava de assistir também no histórico Som Pop - primeira fonte de video clipes, que rodou na TV Cultura bem antes da chegada da MTV no Brasil. É aquele que eu, com pouco menos de 15 anos de idade, ia ver toda segunda-feira no Teatro Franco Zampari, ali no Bom Retiro, em frente à Fatec, onde acabei estudando, nas gravações do programa Boca Livre (que hoje é copiado de forma menos interessante nas grandes redes), da mesma TV Cultura.

Sempre que me pegava olhando minha estante de discos - que tem aproximadamente uns 1.000 itens, todos bem organizadinhos - eu ficava pensando: "um dia quero chegar perto do Kid Vinil".


O encontrei algumas vezes pessoalmente. Várias vezes para dizer a verdade. Nunca fomos muito próximos, mas ele sempre se mostrou uma pessoa doce, gentil e educada. Kid Vinil se foi e nem eu sabia o quanto de "culpa" ele teve na minha educação - já que me apresentou caras no palco, que muitos hoje são meus amigos. Kid me ensinou muito!

Antonio Carlos Senefonte, o pai do Kosmo, o radialista, o apresentador, o cantor, o executivo de gravadora, o professor, o Kid Vinil! Já está fazendo muita falta.

Descanse em Paz!


Texto publicado em ROCKONBOARD.

GBH / TOTAL CHAOS Invasores de Cérebros / Armagedom / KOB 82

Clash Club – São Paulo – SP
07/05/2017


Por Ricardo Cachorrão Flávio


Uma semana antes, a região da Barra Funda estava coalhada de skinheads, com alguns punks infiltrados, para assistir ao show do Cockney Rejects... Neste domingo, a região era toda dos punks, numa grande noite de celebração, com a lenda britânica GBH para encerrar a festa.

Infelizmente, os produtores de shows parecem não se conversar, ou se o fazem, querem apenas um engolir ao outro! É muito bom saber que o Brasil faz parte da rota internacional de shows e espetáculos, mas, cabe a quem produz isso ter o mínimo de bom senso de conhecer o público alvo dos artistas com quem negociam, e não marcarem shows seguidos de artistas do mesmo estilo, cujo público NÃO TEM DINHEIRO, pois o resultado será casas vazias, com público reclamando do preço dos ingressos.

Para ver o show do GBH, com abertura dos norte-americanos do Total Chaos, e mais três bandas brasileiras significativas do estilo, pagar R$ 90,00 é muito mais do que justo! Quem trouxe a banda teve que arcar com custos de passagens aéreas da Europa e dos EUA, hospedagem, transporte, alimentação, aluguel do espaço, além do óbvio cachê, e, se não tiveram bons públicos em outras praças, o show de São Paulo provavelmente deu prejuízo. Uma casa com capacidade para 1000 pessoas recebeu aproximadamente 300 nesta noite. Essa foi a parte triste.

Para piorar um pouco o início da festa, foi dia de final do Campeonato Paulista de futebol, com jogo do Corinthians às 16:00, e é certo que boa parte do público esperou o fim da partida para sair de casa. O horário é de matinê e pouco após às 17:00, os meninos do KOB 82, Tato, Presunto, Raul e Limão, subiram ao palco para público pequeno, formado basicamente por fieis e animados amigos e deram conta do recado. A banda está amadurecendo e mostrando um trabalho consistente e cada vez com mais admiradores.

Sem muita demora, a segunda banda da noite é o veterano ARMAGEDOM, que conta apenas com o guitarrista Javier da formação original, de 1982, e que vem acompanhado do vocalista Renato, do baixista Claudinei e do Pedro, também do Agrotóxico, na bateria. A banda está afiada e faz um grande show, fazendo um balanço de sua longa carreira.



Reformulado, após a morte do baixista original Zorro, em julho do ano passado, que também fez parte da seminal banda M-19, os INVASORES DE CÉREBROS, liderados pelo bom e velho Ariel, fazem o bom show de sempre, com muito protesto e realidade, nua e crua, cuspindo verdades contra tudo e todos, e mostrando que uma banda brasileira é capaz de agitar e cativar o público tanto quanto os gringos. Além do repertório da banda, Ariel ainda dedica duas músicas ao velho parceiro Douglas Viscaino, guitarrista fundador dos Restos de Nada, falecido poucos anos atrás.



Os intervalos entre as bandas são curtos, e chega a vez dos norte-americanos do TOTAL CHAOS, pela primeira vez no Brasil, subir ao palco e literalmente detonar tudo! Na estrada desde 1989, Rob Chaos, vocais, Shawn Smash, guitarra, Miguel Conflict, bateria, este um dos que mais falou com o público, em espanhol, e o baixista Chema Zurita, usando uma camiseta dos paulistanos do Agrotóxico, tocaram e animaram do início ao fim. Com som que lembra muito os escoceses do The Exploited, a banda deu muito bem o seu recado, e certamente ganhou adeptos entre os que ainda não os conhecia.



Pouco mais de 10 minutos antes do horário programado, Collin Abrahall, voz, Jock Blyth, guitarra – usando uma camiseta dos Ratos de Porão, com quem o GBH tocou no sábado, no Recife, Ross Lomas, baixo e Scott Preece, bateria, sobem ao palco e fazem exatamente o que todos esperam, desfilam 39 anos de excelentes serviços prestados ao punk rock mundial!

Sem novidades em relação ao repertório dos shows da banda por aqui em 2011 e 2013, inclusive com as músicas tocadas na mesma sequência, a banda mostra competência, carisma e não deixa pedra sobre pedra! O público insano invade o palco durante toda a apresentação, divide o microfone com o Collin, e abusa dos moshes! Tudo bem recebido pela banda!

Da abertura, com “Unique”, faixa do último álbum lançado por eles, “Perfume and Piss”, de 2010, passando por clássicos como “Alcohol”, “No Survivors”, “Sick Boy” ou “City Baby Attacked by Rats”, o GBH faz o que todo mundo já sabe como será, e, ainda assim, deixa todo mundo de boca aberta! O encerramento foi com “Hey Keef”. Uma pena o público pequeno, quem não foi, perdeu uma noite das melhores!


SET LIST:

1.       Unique
2.       Race Against Time
3.       Knife Edge
4.       Lycanthropy
5.       Necrophilia
6.       State Executioner
7.       Dead on Arrival
8.       Generals
9.       Freak
10.   Alcohol
11.   No Survivors
12.   Self Destruct
13.   Big Women
14.   Sick Boy
15.   Slit Your Own Throat
16.   Am I Dead Yet?
17.   Give Me Fire
18.   Man Trap
19.   Catch 23
20.   Helhole
21.   Kids Get Down
22.   Drugs Party in 526
23.   Diplomatic Immunity
24.   City Baby Attacked by Rats
25.   City Baby’s Revenge
26.   Hey Keef





Texto publicado no ROCKONBOARD.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

COCKNEY REJECTS

Clash Club – São Paulo – SP
30/04/2017


Por Ricardo Cachorrão Flávio
Foto: Sérgio "Punk" Domingos




Quase sete anos após a última visita ao Brasil, os ícones da ‘Oi Music’ do COCKNEY REJECTS voltam ao país sem novidades, mas embalados por uma homenagem à Chapecoense, que na verdade é a música “Goodbye Uptown Park”, escrita ano passado por ocasião do fechamento do estádio do West Ham United, time do coração dos britânicos, com uma letra adaptada às vítimas da tragédia da equipe catarinense. Jogo de Marketing? Pode até ser, mas por entrevistas dos músicos pouco antes da turnê, me pareceu algo honesto, feito por apaixonados por futebol que são.

Exatamente como nas outras vezes em que o Cockney Rejects veio ao Brasil, e tocou no Hangar 110 e no Inferno Club, aqui em São Paulo, o clima de tensão existiu na Clash Club, por conta de possíveis brigas entre punks e carecas. A barra começou pesar na rua bem antes do show, punks e carecas se estranharam, xingamentos aqui e ali, empurra-empurra, mas a turma do “deixa disso” controlou a situação, deixando claro que todos estavam ali pelo mesmo motivo, curtir o som! Por via das dúvidas, viaturas de polícia foram chamadas e ficaram de guarda na porta da casa para controlar qualquer tumulto.

Já dentro da casa, com público muito aquém do que já foi visto com outras bandas da mesma época (vale lembrar que no mesmo final de semana tocaram em São Paulo o Midnight Oil, o Suicidal Tendencies e o Tiger Army e na próxima semana, vem o GBH, todos com ingressos caros para o público alvo), a noite começou com o som da banda THE BEBER’S OPERÁRIO, vindos da cidade de Itatiba, interior de São Paulo. Som OI que agradou e fez todo o público dançar, e, diferente das outras vezes onde o público estava bem mesclado, desta vez existiam muito mais carecas que punks. Além do trabalho próprio, com letras que falam de cotidiano, protestos, mas também diversão e amizade, a banda ainda fez um cover dos Garotos Podres. Agradou a todos.

Na sequência e sem demora, no palco os rapazes da banda FACA PRETA, de São Paulo, mostraram o som e também agradaram a todos. Na estrada desde 2013, a banda tem participação na coletânea “Para Incomodar – Street Punk Brasil – Vol.2”, e um vinil 7”, lançado pela HBB Records, além do recém lançado clipe da música “Vida Dura”. Durante o show o pogo rolou solto, e ainda teve tempo para um cover,  com a música “Quanto Vale a Liberdade?”, do Cólera.

Sem muita espera, Jeff Turner, Mick Geggus, Vince Riordan e Andrey Lang, mostraram o que se espera do COCKNEY REJECTS, muita energia e punk rock! Mataram a saudade de quem os viu anos atrás e a curiosidade de muitos que foram pela primeira vez assistir a banda. O show faz um balanço de 38 anos de atividade deles, e abre com a cacetada “Fighting in the Streets”, passa por ótimos sons como “We Are the Firm” ou “Power and the Glory”, mas, como já dito, não teve nada de novo, e a casa vazia ainda fez a noite ser um pouco mais chata.

Claro que essa é apenas a opinião de quem não tem muito mais paciência para encarar uma roda de pogo cheia de carecas, mas a galera que estava na frente do palco pareceu estar em êxtase de ver seus ídolos hooligans de perto! E assim foi... breve parada, como é praxe, volta com “Police Car”, o hino do West Ham “I’m Forever Blowing Bubbles”, que nunca pode faltar, e, óbvio, “Oi! Oi! Oi!” para fechar a noite em grande estilo! Os tiozinhos estão em forma, uma pena é essa divisão de público, não teve brigas, mas era nítido que boa parte de quem estava lá dentro estava “cabreiro” com diferenças antigas que podiam ser desafiadas a qualquer instante.


SET LIST:

1.       Fighting in the Streets
2.       Your Country Needs You
3.       New Song
4.       We Are the Firm
5.       Subculture
6.       The Power and the Glory
7.       I’m Not a Fool
8.       Headbanger
9.       On the Run
10.   Where the Hell is Babylon
11.   We Can Do Anything
12.   East End
13.   The Rocker
14.   Join the Rejects
15.   On the Streets Again
16.   The Greatest Cockney Rip Off
17.   Bad Man
18.   War on the Terraces
19.   Flares ‘n’ Slippers
20.   Goodbye Uptown Park
21.   Police Car
22.   I’m Forever Blowing Bubbles
23.   Oi! Oi! Oi!


 Texto publicado originalmente no ROCKONBOARD.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

MIDNIGHT OIL

Espaço das Américas – São Paulo – SP
29/04/2017


Depois de mais de 15 anos afastados dos palcos, eis que o MIDNIGHT OIL anuncia a “The Great Circle 2017 World Tour”, começando na Austrália, seguida de 5 shows programados para o Brasil e a volta completa no mundo, terminando onde começou, novamente na Austrália, em novembro. Neste último sábado de abril, São Paulo se curvou diante de Peter Garrett, Rob Hirst (bateria e vocal), Martin Rotsey (guitarras), Jim Moginie (guitarras, teclados e vocais) e Bones Hillman (baixo), todos em perfeita forma.


Por Ricardo Cachorrão Flávio




 Noite fria em São Paulo, casa completamente lotada na Barra Funda, aproximadamente oito mil pessoas pagaram caro para ver esse retorno do Midnight Oil aos palcos. Fato que impressionou conterrâneos de Peter Garrett! Pouco antes do começo do show um rapaz veio puxar conversa, em inglês, dizendo ser australiano e morar há pouco tempo no Brasil, veio de Belo Horizonte para ver os seus ídolos nativos e ficou impressionado com tanta gente estar ali para ver a banda.

Indo ao que interessa, cerca de 15 minutos antes do horário previsto para o show, o som ambiente deixou os clássicos que vinha tocando até então de lado e passou a tocar temas instrumentais, que não posso afirmar com certeza, mas em minha cabeça aquilo tinha relação com música aborígene, já fazia parte do espetáculo e, pontualmente às 22:00, apagam-se as luzes, banda no palco e “Blue Sky Mine” já faz o jogo começar ganho! Sequência com “Truganini” e nocaute confirmado!

O gigante Peter Garrett, 64 anos recém completados, esbanja carisma, simpatia e presença de palco, do básico “boa noite, São Paulo” as outras tentativas de se expressar em nosso idioma, para explicar as músicas e até a escorregada no final com um “Obrigado, Curitiba”, são recebidos com enorme alegria por todo o público, em sua maioria composto por pessoas maduras, muitos acompanhados de filhos adolescentes.

O repertório do show passa por toda a extensa carreira da banda, na estrada desde 1976, sendo que tudo o que vem do palco é bem recebido e muitos cantam absolutamente tudo o que é tocado, mas, é nos grandes hits (e não são poucos) que o público explode de emoção, como na introdução de “King of the Mountain”.

Além do carismático vocalista, outro grande destaque por toda a presença fica para o baterista Rob Hirst, que além de mostrar competência com as baquetas e quando cantou em todo o show, foi responsável por um solo correto, sem se tornar chato e enfadonho, como é comum acontecer nesse tipo de intervenção.

As músicas vão se sucedendo, o público canta e dança sem parar, até que chegamos a um momento intimista, com Peter Garrett anunciando, em português, que “esta música fala que todos os homens são da mesma tribo”, e “My Country” chega apenas com Jim Moginie ao piano. Sequência acústica com “When the Generals Talk” e “Luritja Way” e retorno à eletricidade com “US Forces”, faixa do álbum “10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1”, de 1982.

Continuação arrasa-quarteirão, que já dava indícios de fim de festa, com “The Dead Heart”, “Beds Are Burning”, talvez a música mais comemorada do show, “Read About It” e “Forgotten Years”, que se encerra com a despedida e agradecimentos gerais.

Pausa super curta e a banda volta para o bis com “Put Down That Weapon”, “Now or Never Land” e “Sometimes”.

Uma banda de rock, mas, como eles mesmos dizem, não apenas isso. Uma banda de rock com algo a dizer, conteúdo, engajamento e necessidade de nossa parte que não se ausente mais por tanto tempo. Uma noite e tanto, obrigado “The Oils”!

SET LIST:

1.       Blue Sky Mine
2.       Truganini
3.       Too Much Sunshine
4.       Redneck Wonderland
5.       Under the Overpass
6.       King of the Mountain
7.       Short Memory
8.       Earth and Sun and Moon
9.       Power and the Passion
10.   Antarctica
11.   Only the Strong
12.   Arctic World
13.   Warakurna
14.   Dreamworld
15.   My Country (piano)
16.   When the Generals Talk (acústica)
17.   Luritja Way (acústica)
18.   US Forces
19.   The Dead Heart
20.   Beds Are Burning
21.   Read About It
22.   Forgotten Years

BIS

23.   Put Down That Weapon
24.   Now or Never Land
25.   Sometimes



Texto publicado originalmente em ROCKONBOARD.