quarta-feira, 10 de abril de 2019

INOCENTES, disco novo e aventura na Europa

Clemente Nascimento, Anselmo Monstro, Ronaldo Passos e Nono



Por Ricardo Cachorrão Flávio

Banda formada em 1981, ícone do movimento punk, já passaram por tanta coisa dentro do rock nacional, que já rendeu muita história, contada em livro e muitos discos, e hoje se encontram em sua melhor forma, os INOCENTES chegam em 2019 cheios de novidades.

No próximo dia 12 de abril, será lançado o novo EP deles, intitulado “Cidade Solidão”, numa edição especial, em vinil de 7”, em lançamento caprichado da HBB (Hearts Bled Blud Records), e emendado a isso, a primeira turnê europeia dos rapazes, com direito a show no Rebellion Festivals, o maior e mais importante festival de punk rock do mundo, entre 1 e 4 de agosto, em Blackpool, Inglaterra.

Diante das novidades, batemos um papo com Clemente Nascimento, guitarra e voz, Ronaldo Passos, guitarra, Anselmo Monstro, baixo e Nono, bateria, a formação mais duradoura da banda, junta há 24 anos, apresentando um entrosamento e maturidade bons de se ver.

Meus amigos, me falem um pouco sobre esse trabalho novo, o EP“Cidade Solidão”, em linhas gerais, como ele nasceu, o que vocês esperam desse formato, etc e tal…

CLEMENTE: Cara, quando você tem uma banda que tem 38 anos de estrada, pro bem e pro mal, você é uma banda estabelecida, né? O que é legal! Mas... tem aquela coisa que as pessoas querem ouvir a história, estão mais ligadas na história, e, assim, já não ouvem música, tipo, um álbum inteiro hoje em dia, né? O que é difícil... então a gente resolveu ficar livre! A gente não precisa lançar, ficar pensando e investindo em 14, 15 músicas, que poucas pessoas vão ouvir, então a gente pegou a produção, as músicas que tinham, que tavam rolando, que a gente tinha feito, e reuniu num EP!

E “Cidadão Solidão”, porque essa cidade é tão imensa, como diz o Supla, e as pessoas estão sempre conectadas, falando com um monte de gente, mas na verdade, elas estão cada vez mais sozinhas, porque elas falam com as pessoas, parece que você tá com um monte de gente, quando você fala com as pessoas pelas redes, mas na verdade, você tá sozinho no seu quarto, você tá sozinho em algum lugar falando com as pessoas, no fundo você tá sozinho, então, esse é o mote de “Cidade Solidão”.

E estes novos formatos de hoje, eles permitem experiências, eles permitem você brincar, então foi isso que a gente fez, a gente vai lançar um compacto, que é uma coisa que a gente gosta muito, um EP de 7”, e a gente, como punk, já ouviu muito isso a vida inteira! Então vai ser legal essa oportunidade de lançar esse EP... quatro músicas porque são as quatro que saíram, que tinham... “Escombros” é uma música que há muito tempo a gente queria regravar e deixar de uma maneira que a gente curtisse, então pintou a oportunidade, porque não é um álbum, onde tudo tem que ser inédito e tal, é um EP, um disco entre álbuns, então a ideia é poder se divertir, lançar algumas músicas novas, no formato que as pessoas estão consumindo hoje em dia e experimentar. E uma experiência, então é legal! Pode ser que a gente se arrependa dessa experiência depois, mas, o que não quer dizer que não seja legal, mas, como eu disse, experiência é isso, vamos experimentar e ver no que vai dar.

NONÔ: Nesse EP acho que conseguimos criar um trabalho diferenciado em um momento em que a música passa por um dinamismo muito intenso, onde tudo chega e vai muito rápido e acaba perdendo um pouco do seu valor, do seu apreço. Optamos em compor um material pequeno, pois acreditamos que se nos estendêssemos nas composições estaríamos desperdiçando material devido a esse cenário atual da música.  A nossa vantagem é que contamos com um peso de 38 anos nas costas e sempre teremos alguns ouvidos dispostos a nos dar atenção, por isso nos inspiramos na essência de nossa história com uma pegada atual e com o entrosamento que adquirimos ao longo desse tempo, o resultado foi bem satisfatório para nós.

Para harmonizar com toda essa idéia decidimos lançar um compacto em vinil, que apesar de parecer um lance saudosista ele é totalmente inovador e desafiador nos dias de hoje, onde só se fala de formato digital. Nossa expectativa é que nossos fãs aceitem bem esse EP e tenham algo diferente em sua coleção, pois pretendemos continuar escrevendo nossa história olhando para frente, mas sem nunca esquecermos dos caminhos e das curvas que nos balizaram até aqui.

RONALDO: A ideia do EP... gravamos um disco, fizemos uma coisa com 4 faixas, que é o que acontece muito hoje em dia, porque não adianta você lançar um físico agora, porque você tem essas plataformas digitais, que aos poucos você vai lançando, né? A coisa funciona assim hoje em dia, você vai lançando singles. Mas, tipo assim, nós estamos lá na HBB (Hearts Bled Blue Records), e sabe, os caras acharam legal também fazer um físico e, a gente merece também esse físico, né? A banda tem trinta e poucos anos e acho que tudo o que lançarmos, eu acho que é importante ter físico, porque tem gente que gosta de ter a paradinha na mão lá, e isso é legal. As perspectivas que temos sobre isso, bom, música é meu trabalho! Você tem que ter perspectivas de resultado de trabalho, né? Sabe, e tudo isso tem que ser muito positivo, tem que agradar a galera que gosta da gente, tem que conquistar um público novo, porque trabalho de música é isso! A perspectiva é colher fruto do seu trabalho! Pelo menos, eu penso assim! Normal, né? Acho que todo mundo, as pessoas vêm no músico um trabalho muito divertido, e de fato é um trabalho muito divertido! Você viaja, você faz o que você gosta! Pô, você sobe num palco pra fazer um som pra galera se divertir, cara! E isso é incrível!

Eu espero que tudo o que a gente está planejando dê certo, que é fazer um clipe e lançar junto, é tocar no MIS (Museu da Imagem e do Som) agora esse final de semana e essas são as expectativas do lançamento, que tudo corra bem... e que as pessoas, os formadores de opinião ouçam com atenção, ouça todas as músicas, sabe? Tem umas letras legais! Embora a gente não tá mais naquela coisa, levantando bandeira pra falar de política, mas... não é porque eu toco com o Clemente, que eu não vou falar que o cara escreve bem, e ele escreve bem pra caralho! Ele coloca as ideias dele lá, nesse disco tem duas músicas minhas com ele, que é “Cidade Solidão” e “Fortalece”, que os arranjos musicais são meus, e as letras dele, e as outras duas são dele, né!

ANSELMO: O EP “Cidade Solidão”, pô, pra mim é o primeiro vinil oficial com os Inocentes, né? Quando entrei na banda já era só CD, um EP, com 4 músicas e como fazia um bom tempo que o Inocentes não lançava nada, a gente optou por isso, pra dar uma acelerada, vamos fazer um EP, que é algo legal, lá fora tem uma saída bacana, e pra mim, pessoalmente, tá sendo muito legal porque eu curto esse lance de vinil, né? Pretendemos fazer um CD mais pra frente, mas, queríamos fazer algo novo agora, ir trabalhando.

“Cidade Solidão”, na minha concepção, é um saudosismo, uma mistura de tristeza, com alegria, do que era verdade e passou a ser mentira, uma mistura de conceitos e sentimentos, eu penso assim. Com certeza atingirá o público antigo, isso é fato, principalmente nas letras, o Clemente compõe muito bem e a moçada nova também, consegue ter aquela sensibilidade de captar a mensagem, né? “Cidade Solidão”, não só aqui em São Paulo, mas passamos tanta coisa negativa, algumas coisas positivas, daí vejo que o nome “Cidade Solidão” se encaixou perfeitamente, no meu ponto de vista. Não sei os demais, mas pra mim, é isso aí. E eu to curtindo muito as músicas novas, estão com uma pegada legal, e isso tudo só vem a somar na história dos Inocentes. Pretendemos fazer um CD completo mais adiante, mas agora, a gente precisava disso, um recomeço em curto tempo, então um EP caiu certinho com o que a gente precisava, da banda dar sequência ao seu trabalho.

E o legal também é que tudo vem a favorecer, estamos lançando o EP pela HBB, que estão fazendo um puta trampo legal, lançando também camisetas novas, com estampas novas dos Inocentes, e aparecer a oportunidade dessa tour britânica ao mesmo tempo. Tudo isso é uma soma de várias coisas legais acontecendo, numa fase bem bacana da banda, uma fase diferente, e isso tudo vai nos empurrando à frente.

Mudando de assunto, pela primeira vez, vocês irão tocar na Europa, eu gostaria que me dissessem quais são suas expectativas, o que esperam encontrar por lá?

ANSELMO: Cara, o lance dos Inocentes irem pra gringa, como todo mundo fala, mais precisamente, pra Inglaterra, poxa, pessoalmente, como você sabe bem, no fim dos anos 70, começo dos anos 80, era um sonho pra gente, pô conhecer a Inglaterra! Você sonhava, né? Ver certas bandas de fora, como Buzzcoks, a gente nunca imaginaria que iria ver essas bandas, apesar que tivemos o prazer de ver muitas delas aqui no Brasil, eu toquei com muitas delas... Lurkers, Rezillos... jamais esquecerei! E pra nós, estar pisando na terra da Rainha, no berço do punk rock, tocando ao lado de bandas que foram pioneiras, bandas que fizeram parte de nossa adolescência, não tem palavras pra expressar! Eu to bem feliz, to muito feliz mesmo! Era um sonho de mais de 35 anos e está sendo realizado agora com bônus, porque eu vou tocar ao lado de todas essas bandas bacanas. Você mesmo sabe a história dos velhos punk rockers daqui, e sabe que é sonho de muitos, e eu estou tendo esse privilégio, junto dos Inocentes de ter essa oportunidade de estar lá na Inglaterra e tocar ao lado dessas bandas. Não só pra mim, mas tenho certeza de que pra todos da banda, tá sendo muito legal toda essa parada. Não é fácil, mas vamos lá!

CLEMENTE: Cara, a expectativa de tocar na Inglaterra são as melhores possíveis, na sexta-feira passada conhecemos o Darren Russell, que foi o cara que criou o festival e que tava no Brasil, com o Deedy, da banda Subalternos, apresentou ele pra gente, e você vê que o cara tava feliz de levar a gente pro festival, um puta respeito, a gente tá recebendo um tratamento bacana, estamos sendo divulgados nas redes do festival, no Instagram do festival e tudo, e pra gente... demorou pra gente fazer uma turnê  gringa, e quando a gente tá indo, tá numa situação muito legal, com um tratamento super bacana e um reconhecimento do nosso trabalho, e isso é super importante, né? Vamos fazer um show dia 30 em Londres, depois dia primeiro tocamos em Blackpool, lá no festival, o Rebellion, que é o maior festival punk do mundo, depois a gente toca numa cidade pequenininha e depois toca em Londres de novo, um acústico, numa churrascaria de um brasileiro lá, da Made in Brazil , mais confraternização mesmo, e agora acabamos de fechar um festival na Finlândia, e vamos tocar lá porque os caras fizeram acontecer, eles querem, vão pagar nossas passagens de Londres pra lá, estadia, é num festival. Cara, é o melhor tratamento possível, a gente demorou pra ir, mas estamos indo de uma maneira bem bacana, num esquema muito legal, estamos muito felizes e vamos mostrar nosso som como ele merece ser mostrado lá.

NONÔ: Acho que esse convite veio em um momento importante para nós (antes tarde do que nunca), pois como disse, estamos em uma fase onde nosso entrosamento no palco está bem alinhado e acredito que representaremos bem todo a nossa história. Esse festival é mais um motivo para que a banda ganhe sobrevida pois nos estimula a continuarmos na estrada fazendo aquilo que gostamos . Estamos percebendo que teremos uma boa receptividade, pois outros convites para shows já estão aparecendo em outras cidades da Inglaterra e temos até uma possibilidade de irmos para a Finlândia. Estamos nos desdobrando para conseguirmos alinhar toda essa logística da ida para a Europa pois temos trabalhos, família, compromissos intensos no nosso dia dia , mas faremos o que for necessário para levar a nossa música tocada ao vivo para o outro lado do Oceano.

RONALDO: Perspectivas pra Europa... Mano, é muito louco o que está acontecendo! De repente é um sonho, né? Você está indo pra Europa e o momento é tão propício pra gente ir! A banda tá tão legal, eu acho bacana, porque a gente não tá mais naquela coisa de moleque, nós estamos bem maduros em todos os sentidos. A banda já tem a personalidade dela formadíssima, esse é o som que a gente faz e a gente vai chegar na Europa e vai... mandar bala, cara! Vamos fazer o que a gente sabe fazer! É isso brother, tamo nesse role aí e vamo que vamo!




OBS.: Entrevista publicada originalmente no site ROCKONBOARD.

quinta-feira, 14 de março de 2019

THE ADICTS






Carioca Club – São Paulo – 08/03/2019


Por Ricardo Cachorrão Flávio
Fotos: Ale Galvão


Os droogs estão de volta ao Brasil, dois anos após a última visita, e desta vez Monkey (o vocalista Keith Warren) e seus companheiros, trazem na bagagem o álbum “And It Was So!”, lançado no final de 2017, com direito a edição nacional, o que não é comum aos discos da banda.

A sexta-feira começa com o som da banda paulistana OS EXCLUIDOS, que mandou seu honesto punk rock 77 ainda com a casa vazia, contando com humor do vocalista e guitarrista Ronaldo Lopes, que brincou com a plateia perguntando “o que vocês estão fazendo aqui? O Adicts toca só daqui uma hora”! E vamos lá! Ronaldo, Caio, André e Raphael fizeram bonito, e o público presente cantou junto a maioria das músicas, aplaudiu as indiretas de Ronaldo contra o atual governo e a lembrança de lutas do Dia Internacional das Mulheres. Mandaram muito bem seu recado... sempre trilhando pelo km 77.

Depois de curto intervalo, regado ao som de Ramones na casa, as luzes se apagam e THE ADICTS tomam o palco para mostrar em pouco mais de uma hora um balanço de sua história. Uma carreira que, apesar de longeva, não possui tantos álbuns (são 10 de estúdio em 44 anos de existência), eles se dedicam mesmo a estrada, e tocam por todo o mundo em longas turnês.




Depois da conhecida gravação que sempre abre a entrada da banda nos palcos, que mistura Rossini, Purcell e Ramones -“Blitzkrieg Bop”, vem as manjadas, e sempre esperadas, “Let’s Go” e ”Joker in the Pack” e já dão o tom de festa do que vem pela frente, com confetes, serpentinas e Monkey atirando suas cartas de baralho na plateia, num verdadeiro carnaval punk, uma semana após o término do inferno de Momo.

A turnê é do último álbum, “And It Was So!”, e são tocadas boas faixas dele, como a canção título ou as ótimas “Talking Shit” e “Gimme Some To Do”, mas o que agita mesmo são os velhos hinos, que nunca podem faltar, como “Numbers”, “Tango”, “Bad Boys” ou “Chinese Takeaway”, que, é claro, se fazem presentes.

Como esperado, o público vem abaixo quando executam o mega-clássico “Viva La Revolution”, de seu álbum de estreia “Songs of Praise”, de 1981, e, nesse clima, o público empolgado entoou em uníssono o hit do carnaval e ”Hey, Bolsonaro VTNC”, foi o grito de ordem... a banda, sem entender muito, agradeceu aos gritos efusivos, e mandam outro hit na sequencia “You’ll Never Walk Alone”, com direito a explosões, mais confetes e bolas gigantes voando por toda a plateia.



A festa brasileira dos Adicts vai chegando ao final, infelizmente a data para Curitiba foi cancelada por um problema particular de um dos membros da banda, e “Ode to Joy” encerra a sempre avassaladora apresentação dos THE ADICTS. E um show que mesmo com canções novas, não apresenta grandes novidades, mas, é sempre ótimo de rever! Energia de sobra e muita qualidade em todos os detalhes.

Obs.: Texto publicado originalmente no ROCKONBOARD.



sexta-feira, 1 de março de 2019

Lenda do punk inglês, The Adicts chega a São Paulo após o Carnaval

The Adicts chega a São Paulo após o Carnaval

Lenda viva do punk rock inglês faz show único no Brasil dia 8/3, no Carioca Club (SP)

Crédito: Bastian Bochinski

Popular no punk rock desde a década de 1970, a banda inglesa The Adicts desembarca dia 8 de março em São Paulo - show único no Brasil - para promover sua conhecida e requisitada festa, em evento agendado no Carioca Club. Os Excluídos, punk rock nacional, vai fazer o show de abertura. A realização é da Gig Music.

The Adicts é aquela banda de visual droog, em alusão à forma como se vestiam os colegas do carismático sociopata Alex (Malcolm McDowell) no filme Laranja Mecânica.

Assim como a estética, a sonoridade do grupo inglês causou diversos impactos na indústria fonográfica ao longo das décadas, seja pelo vigor puro e simples punk rock dos primórdios, experimentalismos nos 80 e, dali em diante, pela manutenção de uma carreira estabelecida e prestigiada por meio de um som animado e visceral, daqueles de fazer a plateia cantar junto ao longo de uma apresentação.

A última apresentação do The Adicts pelo país aconteceu em 2016, nos últimos instantes da extensa turnê mundial do disco All The Young Droogs, de 2012. À época, o Carioca Club em São Paulo ficou lotado para uma apresentação vibrante desta lenda inglesa do punk rock, que agora em 2019 retorna com 11º disco na bagagem, And It Was So! (2017), lançado inclusive em versão nacional e que mantém viva a maneira ímpar de se fazer músicas com melodias, às vezes com velocidade, muito deboche e sempre com força de cativar o ouvinte - ou a plateia - a cantar junto.

O The Adicts tem à frente o carismático vocalista Keith Monkey Warren, um exímio showman que atravessou décadas de serviço ao punk rock com um exemplar vigor e profissionalismo. Suas performances sempre garantem entretenimento aos shows da banda, também com muita serpentina, confete e glitter. Não à toa Monkey e os demais integrantes mantiveram o The Adicts entre os grandes nomes do punk e constantemente exaltados como compositores de mão cheia.

Mesmo com um disco novo para apresentar, o The Adicts fará a festa com muitos hits de todas as décadas, como "Viva la Revolution", "Bad Boy", "Falling in Love Again", "Chinese Takeaway", "Johnny Was A Soldier", "Easy Way Out", "Numbers", "Songs Of Praise", "Steamroller" e muitas outras músicas.

THE ADICTS EM SÃO PAULO
Data: 8 de março de 2019
Horário: 19 horas (abertura da casa)
Local: Carioca Club
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 - Pinheiros
Censura: 16 anos
Ingresso:
(MEIA/PROMO)
PISTA: R$ 120(2º Lote)
MEZANINO: R$ 150 (1º Lote) / R$ 180 (2º Lote)
(Levar carteirinha de estudante ou 1 quilo de alimento)

PONTOS DE VENDA
Bilheteria Carioca Club (sem taxa para pagamento em dinheiro)




domingo, 17 de fevereiro de 2019

Metallica abandona guitarras e apresenta repertório acústico de toda carreira




Por Ricardo Cachorrão Flávio

Um show do Metallica é algo que dispensa maiores comentários, quem teve o prazer de vê-los no palco, pode atestar: é matador! Sempre foi e se mantém assim, mesmo multiplatinado e no conforto de quem não precisa provar mais nada a ninguém. Um show do Metallica é para ir e voltar com a alma lavada, literalmente!

Seda devidamente rasgada, vem a pergunta: mas, ao vivo e ACÚSTICO, é mesmo necessário? A banda que forjou seu lugar na história como ícone do thrash metal, completando 38 anos de orgulho, paixão e glória, onde conquistou tudo o que é possível para uma banda de rock, precisa mesmo de um disco acústico, nessa altura do campeonato?

Pergunta para ser respondida com outra: e por que não?

Pois bem... Em 3 de novembro de 2018, o Metallica realizou em San Francisco, Califórnia, um show acústico beneficente em prol de sua Fundação All Within My Hands, que tem por objetivo o combate à fome, ajudando na criação de comunidades sustentáveis através da educação da força de trabalho. Este evento arrecadou 1,3 milhão de dólares, e a renda do álbum Helping Hands… Live & Acoustic At The Masonic, que foi gravado neste show, também será revertida para a instituição. O álbum teve pré-venda de uma edição limitada em vinil esgotada em poucas horas, e está disponível em todas as plataformas digitais desde o dia 01 de fevereiro.

Sobre o conteúdo... minha primeira impressão foi de susto! O disco abre com “Disposable Heroes”, faixa do clássico álbum Masters of Puppets, e ganhou uma roupagem totalmente nova! O susto se transformou em grata surpresa, afinal, qual seria a vantagem de tocar a música exatamente igual a versão original? Já mostrou que a experiência acústica valeu a pena.

Neste trabalho, o quarteto formado por James Hetfield, violão e voz, Kirk Hammet, violão elétrico, Robert Trujillo, baixo e Lars Ülrich, bateria, contam com a companhia de Avi Vinocur, no bandolim e backing vocals, David Phillips, no pedal steel, Henri Salvia, nos teclados e Cody Rhodes, na percussão.

A sequência vem com um cover maravilhoso do Deep Purple, em “When A Blind Man Cries”, faixa que ficou de fora do talvez melhor álbum do Deep Purple, o fantástico Machine Head, de 1971, sendo lançada como lado B do single “Never Before”, e que a banda dificilmente tocava ao vivo, porque o mala do guitarrista Ritchie Blackmore não gostava dela (eis o possível motivo de ter ficado de fora do disco), mas que passou a fazer parte do repertório quando o guitarrista abandonou a banda.

O disco / show continua com o mega hit “The Unforgiven”, faixa do álbum Metallica (ou “Black Album”), desta vez sem invenções ou mudanças radicais no arranjo, sem sustos, hora de ligar o celular na plateia – eu, particularmente, preferia quando se acendiam isqueiros. Outro cover - prática que o Metallica traz desde os tempos de garagem - é “Please Don’t Judas Me”, que os escoceses do Nazareth gravaram no disco Hair of the Dog, de 1975. Mais um cover vem em seguida, mas este já é velho conhecido dos fãs, “Turn the Page”, de Bob Seger, regravado pelo Metallica no álbum Garage Inc., de 1998. “Bleeding Me”, do questionado Load é a faixa da vez, que ganha uma versão correta, bonita, com Kirk Hammet caprichando em todos os solos.



Outra banda que ganha uma homenagem do Metallica neste show é o velho Blue Öyster Cult, que a banda havia regravado no já citado disco Garage Inc., com a faixa “Astronomy”, do terceiro disco do BOC, o excelente Secret Treaties, de 1974. Aqui neste show, tocam “Veteran of the Psychic Wars”, música que faz parte originalmente do disco Fire of Unknown Origin, de 1981, oitavo disco da banda, gravado no ano em que o Metallica nascia.

O disco continua com outro megahit do Black Album, “Nothing Else Matters”, música excelente para o formato, sem novidades. “All Within My Hands”, música que dá nome à fundação do Metallica, gravada no álbum St. Anger, de 2003 [leia um artigo que escrevi sobre este mesmo álbum AQUI], aquele que boa parte dos fãs ama odiar, é o que tocam agora e precede outro megahit, também do homônimo Metallica, álbum que mais aparece neste acústico, vem uma boa versão de “Enter Sandman”, desta vez com arranjos bem diferentes em relação ao original, que é bem pesado. Aqui uns climas criados com o pedal steel dão uma roupagem nova e especial à música, além dos, mais uma vez, caprichados solos de Kirk Hammet.

Caminhando para o final do disco, veio a maior surpresa, do primeiro álbum, o petardo Kill’Em All lançado em 1983, vem a faixa “The Four Horsemen”, numa versão inimaginável para quem cresceu ouvindo a banda desde os primórdios, e que ficou excelente. Empolga!

O disco encerra com uma faixa do último lançamento de estúdio deles, Hardwired... To Self-Destruct, de 2016. Esqueçam os celulares acesos, os climas calminhos e tranquilos, mesmo no violão, “Hardwire” é pau puro!

Eles são a maior banda de rock do planeta há muito tempo. É a banda que só toca com ingressos ‘sold out’ em qualquer lugar do mundo; é a banda que, depois da polêmica guerra contra o Napster, mais fatura com conteúdo na internet, vende milhões e milhões de discos, de arquivos digitais de áudio e vídeo, DVD’s, mesmo com downloads não autorizados existindo e matando muita gente no mercado fonográfico. Não devem satisfações a ninguém e, surpreenderam velhos fãs que torceram o nariz com a ideia de um disco acústico, como eu. Estão de parabéns, e que continuem empolgando, por muito tempo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

PLEBE RUDE FINALIZA TURNÊ DE DISCO AO VIVO E SE PREPARA PARA NOVO ÁLBUM DE ESTÚDIO

Por Ricardo Cachorrão Flávio

Philippe Seabra, Marcelo Capucci, André X, Clemente e o seu público plebeu - A Plebe Rude em 2019.

Matinê num sábado escaldante, no senegalês verão paulistano, e pontualmente às 11 da manhã, a PLEBE RUDE faz seu primeiro show de 2019, e, como lembrado diversas vezes durante a apresentação, o primeiro desta banda sempre marcada pela contestação e o discurso inteligente de protesto, nesta nova era conservadora vivida pelo país.

A apresentação faz parte da “Primórdios Tour 2019”, e, segundo o guitarrista e vocalista Philippe Seabra, em rápido bate-papo pós show, foi o último em São Paulo antes da banda ir para estúdio para trabalhar no novo disco, que ele nos adiantou em primeira mão, que será um álbum conceitual da Plebe Rude, e já conta com 20 canções prontas, todas dentro de um mesmo tema. Perguntei: “Teremos uma ópera rock da Plebe então?”, e ele, sorrindo, “é por aí, quase isso”. Coisa boa vem pela frente.

Voltando ao show e sua origem... Em novembro de 2017, a Plebe Rude, hoje formada por Philippe Seabra e André X, membros fundadores da banda, além de Clemente Nascimento, na guitarra e voz, fundador da banda punk Inocentes, que também prepara material inédito, e Marcelo Capucci, na bateria, se reuniram no complexo de estúdios Espaço Som, em São Paulo e gravaram ao vivo, com produção do Showlivre.com, o disco Primórdios 1981-1983, para 100 felizardos fãs que puderam participar da gravação. O disco em questão, que saiu há poucos meses, trouxe apenas músicas compostas no início da carreira, entre 1981 e 83, muitas delas inéditas até então, e este show ainda faz parte da turnê de lançamento.

Aqui, a íntegra do DVD "Primórdios":



Com uma gravação da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, abrindo o show, a banda sobe ao palco com “Voz do Brasil”, música que faz parte de “Primórdios 1981-83”, mas que havia aparecido anteriormente no disco ao vivo “Enquanto a Trégua Não Vem”, de 2000. Sequência matadora com “Brasília” e “Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)” e jogo ganho, como esperado.

A próxima música, “Dança do Semáforo”, na gravação do disco contou com participação de Gabriel Thomaz e Érika Martins, da banda Autoramas, e é velha conhecida do público. Seguem-se “Luzes”, cover da Escola de Escândalos e “Censura”, que apareceu no segundo disco da banda, Nunca Fomos Tão Brasileiros, de 1987, mas é outra dos primórdios.

Resgatada do terceiro e pouco tocado disco “Plebe Rude III”, sempre pedido pelos fãs mais antigos, vem a bela música “Um Outro Lugar”, e o último disco de estúdio da banda, Nação Daltônica, de 2014, se faz presente com a contundente “Dias de Luta”, que mostra que se o rock nacional mainstream ficou bunda mole e acomodado, a Plebe, continua Rude. Valorizando toda a carreira, inicia o playback de gaita de foles que introduz “O Que Se Faz”, faixa do disco R Ao Contrário, de 2006, que foi o primeiro trabalho a contar com Clemente como membro oficial da banda.

A gravação do arranjo de cordas da Orquestra Filarmônica de Praga feito para a banda introduz a faixa “Sua História”, outra de “Nação Daltônica”. E o clima permanece ameno, quanto Philippe empunha o violão e começa o hit “A Ida”. Mantendo todos os discos no repertório, é a vez de Mais Raiva do Que Medo, de 1993, aparecer com “Este Ano”. Lembrando da atual situação política, Seabra diz que a próxima música fazia tempo que não tocavam, mas acharam por bem resgatar, e vem “Bravo Mundo Novo”.

Um pouquinho de história, e contam como foi o primeiro ensaio da banda, junto com o pessoal do Aborto Elétrico, quando saiu a primeira música, “Pressão Social”, que faz parte de “Primórdios 1981-1983”, mas consta originalmente de “Mais Raiva do Que Medo”, numa gravação que contou com Renato Russo nos vocais, e agora tem Clemente na voz principal. Ainda com Clemente só cantando, sem guitarra, vem “Tá Com Nada”, com a letra atualizada com “homenagem”, dentre outros, ao grande símbolo da direita mundial, o presidente norte-americano Donald Trump, em música que a banda Detrito Federal havia gravado em seu disco de estreia, “Vítimas do Milagre”, de 1987. “Códigos”, de “Nunca Fomos Tão Brasileiros”, é a próxima e gera risadas de todos. No palco os músicos se olham e parece não entenderem nada, mas vão tocando, até todos pararem e o baixista André X explicar ao público, que essa música sempre foi tocada com guitarra, mas Philippe começou com violão e todo mundo se perdeu. Guitarra em punho, piadas de “acústico não”, e saiu “Códigos”.

Com playback do programa “Cassino do Chacrinha”, com a voz do ‘velho guerreiro’ anunciando “Com vocês a Plebe Rude”, começa “Minha Renda”, clássico do disco de estreia, O Concreto Já Rachou, de 1985. Breve pausa, e Philippe diz, sério, “essa música tem 36 anos, e nunca foi tão atual”, segue “Proteção”, que, lembrando do governo de direita recém eleito, sob a bandeira do conservadorismo e do militarismo, emociona velhos fãs que cantam em uníssono: “Tropas de choque, PM’s armados / mantém o povo no seu lugar / mas logo é preso, ideologia marcada / se alguém quiser se rebelar / Oposição reprimida, radicais calados / toda a angústia do povo é silenciada / Tudo pra manter a boa imagem do Estado! Sou uma minoria mas pelo menos falo o que quero apesar da repressão... é para sua proteção”. É hora também de Clemente se lembrar dos Inocentes e mandar “Pátria Amada”, como música incidental, antes de Philippe reassumir e terminar “Proteção”.

Com o tempo contado pela produção do Sesc, algumas músicas programadas ficaram de fora, e entra a introdução de violoncelo do Jaques Morelenbaum, que determina o começo do maior sucesso da Plebe Rude, “Até Quando Esperar”, que para quem conhece bem os shows da banda, sabe que é o início do fim da festa.

Durante o show, André X chegou a dizer que ele e Philippe passaram todo o mês de dezembro compondo em estúdio e fizeram “umas 30 músicas novas”, e, como já adiantado, Philippe nos disse depois do show, que 20 dessas músicas seguem um tema e farão parte de um disco conceitual da banda. Ficamos no aguardo, que a contundência permaneça.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

MAX & IGGOR CAVALERA – “89/91 Era”



Tropical Butantã – São Paulo – 03/11/2018


Por Ricardo Cachorrão Flávio
Fotos: Divulgação


Um lindo sábado, quente, convidativo para uma cerveja bem gelada e um show de rock dos bons, e no mesmo dia e horário, a cidade apresenta três opções sensacionais: a estreia nacional do trio norte-americano EARTHLESS, com seu poderoso ‘hard-psychedelic rock’, a despedida dos palcos da icônica PATRULHA DO ESPAÇO, num show repleto de convidados especiais, e a nossa escolha MAX & IGGOR CAVALERA, trazendo os irmãos fundadores do SEPULTURA de volta aos palcos brasileiros tocando um repertório especial, desta vez calcado nos álbuns “Beneath the Remais” (1989) e “Arise” (1991).

Eis que as nuvens escurecem o céu até então lindo e desaba o temporal! A região do Butantã é bem castigada, cai a energia elétrica nas ruas e o caos se instala. Chegando ao Tropical Butantã, o alívio de ver a casa iluminada no meio de uma vizinhança no breu absoluto. Um sanduíche na porta, mais uma cervejinha e as primeiras sensações de empolgação com o pessoal chegando para a festa.

Max Cavalera é um cara inquieto, acabou de lançar o 11º álbum do excelente SOULFLY, (“Ritual”), no ano passado saiu o 4º trabalho do CAVALERA CONSPIRACY (“Psychosis”), trabalho ao lado de seu irmão Iggor, e depois de rodar o mundo com a turnê “Return to Roots”, é a vez de nova turnê com velho repertório. “89/91 Era” revisita os discos que sacramentaram o SEPULTURA como um dos maiores nomes do thrash metal em todo o mundo, e, em minha modesta opinião, mostra o quanto Max parece arrependido de ter abandonado o barco, logo após o lançamento de “Roots”, em 1996.

O fato é que foi Max quem abandonou o Sepultura e nunca demonstrou o menor interesse em manter o nome da banda. Logo na sequência formou o Soulfly e viajou o mundo inteiro com a banda que ele podia chamar de DELE, mas, basta ler sua autobiografia (“My Bloody Roots”), para saber do quanto o Sepultura lhe faz falta e o quanto ele tem vontade de uma reunião, que, pelo que parece, nunca ocorrerá. Iggor manteve-se mais 10 anos no Sepultura, até que chegou a conclusão de que não queria mais aquilo, depois de gravar mais 6 álbuns com a banda sem o irmão. Reencontraram-se, fizeram as pazes e criaram a pancada Cavalera Conspiracy, cujos registros são ótimos.

Enquanto isso, Andreas Kisser e Paulo Junior mantiveram e recriaram o Sepultura, com o bom Derrick Green à frente, que hoje, conta mais tempo de banda que Max. Lançaram discos criticados por velhos fãs, mas ganharam muitos novos, e sempre tiveram a crítica a seu favor. Portanto, por mais que este show seja nostálgico e tenha me levado a relembrar os shows que vi em 1991, que hoje são tidos como “míticos”, que foram no Rock in Rio 2, no Maracanã, e na Praça Charles Müller, em São Paulo, é injusto dizer que “esse é o verdadeiro Sepultura”, como ouvi de diversos fãs emocionados na quente pista do Tropical Butantã.

Voltando ao que rolou na casa, com um calor insuportável, graças à falta de energia elétrica no bairro e todos os aparelhos de ar condicionado desligados, numa casa funcionando a base de geradores, tivemos três bandas de abertura, o que é legal para a rapaziada nova que tem a chance de se apresentar para um público grande, mas que é extremamente cansativo para quem está ali para ver apenas a atração principal e não tem muito interesse em coisas novas, com cara de velhas.

Ultra Violent, banda escolhida através de votação no Facebook, trouxe um thrash metal sem novidades, cantado em Português, vindos de Guarapuava, no Paraná, seguidos do Deaf Kids, de Volta Redonda, Rio de Janeiro, mas baseados em São Paulo, com um som pesado e repleto de gritos psicodélicos cheios de efeitos e finalizando, o Endrah, paulistanos com vocalista gringo mandando um hardcore intenso, mas que não empolgou, basta saber que o vocalista Relentless cansou de pedir para o público abrir uma roda e não foi atendido nenhuma vez.

O que veio a seguir foi celebração, pura e simples. O show abriu com “Beneath the Remais”, e o público, misto de velhos fãs e molecada que nunca viu o Sepultura original no palco, cantou palavra por palavra o que Max mandava lá do alto. A sequência com “Inner Self”, com sua voz original, arrepia e o público fica insano com o que a banda manda depois: “Stronger Than Hate”, “Mass Hypnosis”, “Slaves of Pain”, “Primitive Future”, intercaladas com frases e gritos de ordem da Max, que pede incansavelmente mãos para o alto em meio a um sem número de palavrões, básicos para quem o conhece no palco.

O calor que já era insuportável na pista, mesmo com duas portas laterais abertas para ventilar, aumenta com a massa sonora que a banda manda, e chega a vez do álbum “Arise” ser relembrado, com a faixa-título seguida dos petardos “Dead Embryonic Cells”, “Desperate Cry”, “Altered State” e “Infected Voice”!

E o que já era terra devastada, acaba por ruir com duas faixas seguidas do Motörhead, a já conhecida versão de “Orgasmatron”, que aparece em “Arise”, seguida de “Ace of Spades”, com Max sem guitarra, apenas atacando de vocalista! Saem do palco e Max diz, “voltaremos para tocar mais, mas gritem, porra!”

Rapidinho a banda volta, e em grande estilo, “Troops of Doom”, do primeiro disco do Sepultura, “Morbid Visions”, de 1986, talvez a música que Max Cavalera mais tenha tocado em sua carreira, pois sempre figura no repertório de qualquer uma de suas bandas. O bis continua com a faixa de abertura do “Chaos A.D.”, “Refuse/Resist”, seguida de “Roots Bloody Roots”, o que já era o suficiente para qualquer um ir para casa com alma lavada, mas, ainda tiveram fôlego para mandar um medley com “Beneath the Remais / Arise / Dead Embryonic Cells”.

Show excelente, para relembrar velhos e bons tempos. Desnecessário o grito de “Sepultura! Sepultura!” que alguns puxaram ao fim do show, logo trocados por “Max! Max! Igor! Igor!”, aí sim, terminamos muito bem a noite!



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Pensamentos que fluem!



Esse foi o nome de um blog que mantive por um bom tempo, há uns 15 anos! Antes de fazer entrevistas, escrever colunas e matérias para várias revistas, sites e rádio.

Funcionava como um "fanzine eletrônico", onde eu costumava resenhar novos discos das bandas que eu gosto, contar histórias de velhos clássicos do rock, indicava livros, cinema, teatro, abria espaço para poesia e, divagava muito sobre política e a situação do país e do mundo, sempre com espaço aberto ao debate.

Um breve histórico, porque a situação atual me faz a cabeça ficar à mil por hora, e os pensamentos fluem, sem parar!

Estava agora a pouco visitando um amigo e conversamos sobre música, movimento punk e política! Chegamos ao ponto: ANARQUISMO!

Eu, particularmente, sempre admirei as teorias anarquistas, e tudo o que é relacionado a auto-gestão. Sempre admirei e respeito! Porém, acredito que em nossa sociedade, com um povo sem cultura e educação, a anarquia é uma utopia! Não acredito na auto-gestão, com pessoas que não são capazes de pensar por si próprias, sempre existem líderes.

Tenho muitos amigos anarquistas, eles conhecem minha opinião e nos respeitamos, sempre e acima de tudo. Daí chegamos em outro ponto: ELEIÇÃO. Bonito dizer que não vota em ninguém e não sustenta parasitas, mas a situação atual pede uma análise mais criteriosa se esse não é o momento de mudar a atitude.

E é neste ponto que bato na tecla e chego a fazer um apelo: manter-se sob a ideologia anarquista, insistir no voto nulo ou na abstenção, não será inteligente da parte de ninguém! Não se trata de política partidária, não se trata de sigla, se trata de uma luta pela liberdade, pela igualdade! Temos em nossas mãos o poder de impedir que o fascismo tome conta de nossa terra!

É nítido que tempos sombrios se avizinham, é claro que o autoritarismo que eu cheguei a viver está louco para retornar. Mas podemos evitar. DEPENDE DE UNIÃO! DEPENDE DE TODOS NÓS!

#EleNÃO #EleNunca #EleJamais #EleNemFodendo